sexta-feira, 23 de março de 2018

lounge


lown propagation sound
(som baixo em propagação)

longe
bem longe
do fundo do salão
vinha um suave lounge
um vinho suave de longe
delicado e sonolento som
suave e sonhador lounge
som que vinha de longe
chegava bem lounge
no fundo da alma
muita paz, calma
multipropagação
som em profusão
eletromagnetização
onde?! lá de longe
an alone lounge
a lovely alone
lá no fundo
do salão
longe

quinta-feira, 15 de março de 2018

algo em mim

Algo em mim doia
Algo em mim doi
Ah, como doi!
Alquebrado
Humilhado
Mal pago
Espancado
Desprezado
Achincalhado
Algo em mim doia
No coração, no espirito, no corpo
E continua, assim, dia após dia
Como perseguição doentia
Ao meu querido professor
Que já não aguenta tanta dor
Ah, algo em mim doia
Algo em mim ainda doi!

Para Alckmin & Dória

(contra toda esta dor, eu chego a pensar que algo de mim daria, ou fugiria, ou que, com álcool em mim, esta dor não tanto doeria!)

(curto e grosso: só ficando bêbado, pra não sentir tanta desgraça!)

Em desagravo aos professores da rede pública de São Paulo

terça-feira, 6 de março de 2018

cruzamentos


Carolina
Não Feche o Cruzamento

São placas de trânsito para quem transita em São Paulo
São pauleira para quem transita entre placas de trânsito
(que eu vi agora na TV, na Rede Brasil/MG)

Poderia ser na Ipiranga com São João
na Rio Branco com Pres. Vargas, no Rio,
no DF, no Eixo Monumental com o Eixão,
na Afonso Pena com Amazonas, em BH,
num dos becos da Vila Taquaril,
em toda esquina do Brasil,
ou em qualquer lugar!

Carolina é uma moça muito bonita,
capaz de parar o trânsito em qualquer rua do país.

Por isso, quando Carolina anda por aí,

os DETRANs de todos os Estados da União pedem encarecidamente, quase como num antecipado lamento:

Carolina, não feche o cruzamento!

segunda-feira, 5 de março de 2018

Sahara


pra lá de Marrakech,
se viver se quer,
é preciso atravessar o Sahara,
cruzar o Grande Deserto,
passar Argélia, Líbia, Egito
e seguir bem além
até chegar em Jerusalém

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

interestelar


era um antigo sonho cósmico,
um celeste, interplanetário,
meio astronômico,
tão estelar e singular,
quase intergaláctico:
de estar com ela,
no lugar dela,
junto com ela,
no espaço-tempo dela,
viajando, navegando,
ou apenas flutuando, levitando,
eu entorno dela gravitando,
por espaços infinitos adentro
pelos tempos eternos afora.

(by Brumbe às 07:27h, acordando...)

foto: Estação Espacial Internacional

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

sol em cinzas


Sol em cinzas

É sempre assim,
depois do Natal,
do Ano Novo
e do Carnaval:
Cadeiras e mesas
tão brancas e francas,
antes tão vivas, falantes,
festivas, andantes, dançantes,
agora tão rígidas, paradas,
vazias, desocupadas,
silenciosas, abandonadas.
Assim é, principalmente,
nas quartas de cinzas à tarde,
sob este sol inclemente
que aqui ainda arde.
É eu fico aqui assim,
calado, quieto, sossegado,
assim já há muito acostumado
com as melancolias de tais dias.
(quem sabe na Semana Santa
me chegue aqui outra festança?)

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

mais dia, menos dia

mais dia, menos dia

viver sozinho é muito triste
e cada triste dia sozinho,
no mínimo, são dois dias a menos de vida:
este dia que já se foi
e aquele que a morte rouba da vida
por se antecipar em um dia.

mas, quando sozinho não se vive,
ao menos se ganha um dia:
este feliz dia não sozinho.
pois a morte, espera-se, fica lá no seu dia
esperando parada, quietinha.