Alguém irremediavelmente viciado em escritas e estrelas, projetando palavras interiores em espaços exteriores.
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domingo, 30 de junho de 2019
decolagem
à 12.341 metros de altura
à 897,53 quilômetros por hora
nas fronteiras do atlântico sul/norte,
em algum ponto do planeta
entre o Rio de Janeiro
e Amsterdam,
(ou vice-inversa)
sem pensar na vida,
muito menos na morte,
só ouvindo Haendel, Mozart,
Diana Krall, Beethoven e Chopin
pra que aterrisar em algum lugar?!
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
arrives and departures
partidas e chegadas
quis o inescapável destino
que eu cumprisse o meu destino
onde se vê donde se vai e vem
para/de todo e qualquer destino
(acho que é por isso que eu gosto tanto de viajar, rsrsrsrs)
foto by brumbe, da sua varanda nos confins do mundo: um avião aterrisando na cabeceira noroeste de Confins
sábado, 16 de junho de 2018
Çemberlitas
Israeli Turkey Tour (*)
From the Ben-Gurion,
logo depois do Vale de Ayalon,
chego a Hahaganah,
a caminho do Nahalat,
nos muros e portões de Tel Aviv,
just to tell you i'm living,
only to tell'n'live.
Diante de Belém, Nazaré, Jerusalém,
palavra humana alguma adianta,
verbo nenhum consegue falar além!
To Bizâncio, Constantinopla, Istambul,
pra me sentir inteiro, completo, full,
no lugar exato, no ponto certo,
entre o ocidente e o oriente,
meridiano meio incerto.
Em Vezneciler, Beyazit, Sultanahmet,
para saber o que realmente é
AyaSophia e Blue Mosquee,
fui parar em Çemberlitas,
pra coisas tantas tão bonitas,
por demais já ditas e escritas,
por mim apenas repetidas.
(*) favor não confundir com "Turismo do Peru Israelense"
Foto: Guia Visual Folha de São Paulo
segunda-feira, 4 de junho de 2018
passo a passo
passo a passo
Cada passo que dou em novas terras
é, claro, um passo desconhecido,
é sempre um passo novo,
um passo em direção ao estranho,
incógnito, impessoal, gélido
Mas, quanto mais passos dou,
mais o novo lugar
vai se tornando familiar
E, como um velho conhecido,
me faz sentir abraçado, acolhido,
amigo, aquecido
step by step
Each'n'every step I take on new lands
is, of course, a step unknown
It is always a new step,
a step toward a stranger,
incognito, impersonal, icy ground
But, the more steps I take,
the more the new place
glimpes me its familiar traces
And, as an old friend,
makes me feel embraced,
welcomed, warmed
domingo, 3 de junho de 2018
Crônicas de Istambul
Da série Crônicas de Istambul
Sobre Narizes, Gargantas e Pulmões
Olha que estranho e interessante objeto deixaram, hoje pela manhã, na lixeira de recicláveis, aqui na pracinha em frente à minha janela! Era três, mas já levaram dois, e acho que daqui a pouco alguém vai levar este também. (ver fotos)
Depois de muito analisa-lo à distância, daqui da minha janela, só posso chegar à conclusão que trata-se de um daqueles repugnantes e nojentos recipientes usados como escarradeira, e também cinzeiro, muito comuns em alguns hotéis e locais públicos, principalmente no oriente.
Mas, já vi disso há muito tempo no Brasil, provavelmente em algum hotel de São Paulo, quando, ainda criança, ia muito lá com meu pai comerciante em compras de negócios. Daí, talvez, que a minha prodigiosa memória de infância, minhas lembranças mais fortes e remotas, tenham retido e permitido a minha capacidade de reconhecer imediatamente tais abjetos objetos!
E fico aqui imaginando porque que essa coisa foi deixada ali! E só posso deduzir que algum hotel da região tenha resolvido descarta-los hoje, talvez para desestimular, ou mesmo proibir, tais antigos, seculares, nojentos e danosos hábitos: o escarro e o fumo em locais públicos, inclusive por questão de higiene e saúde dos hóspedes. Lugar de escarrar e de fumar e no privado, ou na privada!
Se foi realmente esta a intenção, ótimo! Já deveria ter sido tomada bem antes, pois Istambul é hoje, e creio que há muito tempo, uma cidade tão cosmopolita quanto Paris, Jerusalém ou São Paulo.
Mais tarde, quando saí pra rua, parei lá na pracinha pra ver de perto aquele OUNI (Objeto Urbano Não Identificado), e identifiquei: pelo estado bastante lastimável, deteriorado e corroído do bojo ou prato da coisa, sem dúvida era mesmo uma, argh!, escarradeira!
E fiquei imaginando: ah, se fosse na minha cidade e se pudesse carrega-lo, eu com certeza o levaria pra casa (bem embrulhado no porta-mala do carro, claro!)
Aquilo bem limpo, com lixadeira pra ferro, escova de aço, jatiadeira de areia, ácido muriático, muito álcool, desinfetantes e aromatizantes, poderia ter uma outra útil, bela e até decorativa serventia, como, por exemplo, um simples vaso de plantas, de preferência uma bem bonita e aromática, perfumosa, que alegrasse, satisfizesse e purificasse muitos narizes, gargantas e pulmões.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Yerushalayim
Ah! Jerusalém!
Jerusalém é indescritível, não interpretável, intraduzível, não textualizável, não analisável, inquestionável!
Jerusalém é simplesmente pra se ver, sentir, calar e arrepiar!
(e, claro!, filmar e fotografar)
Mas, como eu já tinha elaborado um texto sobre esta viagem (o que, aliás, sempre faço, semanas ou meses, antes das viagens), aí vai:
Jerusalém
Quando eu era criança e ouvia falar sobre Jerusalém, ficava pensando: é "Jesus além"?! quem ou o quê pode ser, ou estar, além de Jesus?! ou será que é o próprio Jesus que vai além?!
Não sou católico nem nada, acredito muito pouco em religiões e nada em igrejas, mas admiro e respeito profundamente muitos dos seus princípios, fundamentos e filosofias, principalmente os de alguns seres iluminados como Buda, LaoZi, Moisés, Maomé e Jesus.
Estes três últimos são, inclusive, os maiores inspiradores e "fundadores" das três grandes religiões monoteístas que têm Jerusalém como a "sua" cidade sagrada, principal e "capital": judaismo, islamismo e criatianismo, respectiva e respeitosamente.
(E hoje, diante daquele muro, que chamam "das Lamentações" - que para mim, que felizmente tenho pouco ou nada a lamentar, poderia ser um muro de exaltações e felicitações -, eu renovei e reforcei meu profundo respeito e admiração pelos homens que realmente oram e têm fé e esperança em algo superior, sublime, divino, que mereça suas preces.
E lá, de repente, colocando as duas mãos espalmadas no Muro, talvez eu tenha feito a maior e mais profunda, se não a única e verdadeira, oração ou meditação de toda a minha vida! Pra quem?! Pra que?! Pra minha família, amigos, pessoas, pra Palestina, pra Israel, pro Brasil, pra Bangladesh, pra Escandinávia, pro Morro do Papagaio, pra favela da Maré, pra Wall Street, pra av. Paulista, pra Cuba, pro USA... pro Mundo, simplesmente e somente para Paz no mundo!)
E eu sempre desejei conhecer um pouco mais além, e, talvez com muita ousadia, pretensão e rebeldia, seguir caminhos também mais além, quem sabe, bem além de Jerusalém.
E aqui estou eu, hoje, na própria Jerusalém, com muita alegria, prazer e satisfação, com profundo respeito, carinho e reverenciação, andando pelos caminhos da terra onde o Homem Jesus caminhou e deixou sua luz.
Sou de uma família altamente cristã e católica, inclusive com padres, freiras, ministros de eucaristia, vicentinos, bispos e até arcebispo, e dedico a eles esses meus passos em Jerusalém, pois eles mereciam, e sempre merecerão, estar aqui muito mais do que eu.
(Nota triste: exatamente enquanto eu escrevia isso na semana passada, 14/05, ainda no Brasil, aqui bem perto, em Gaza, 52 palestinos eram mortos e outros 1000 e tantos eram feridos, pelas forças militares israelenses, devido aos protestos pela mudança da embaixada americana de Telavive para Jerusalém, em comemoração dos 70 anos da criação do estado de Israel)
Foto: minha foto oficial de Jerusalém (chegando e encostando no Muro)
domingo, 20 de maio de 2018
Tel Aviv
da série Minhas Janelas pelo Mundo:
Minha Janela Israelense, em Telavive
É muito estranho estar, pela primeira vez, num país permanentemente em estado de alerta, tensão, preocupação, pisar numa região sob constante risco de atentados, terrorismo e até de guerra.
Mas, Telavive me surpreende! Não vejo aqui o clima de tensão e medo que achei que encontraria. Muito ao contrário, a cidade é muito alegre, luminosa e festiva.
Talvez isto seja devido à entrada do verão que já está chegando pra valer!
Aliás, tanto o clima, o sol, o calor, quanto a a arquitetura e o urbanismo das áreas mais novas da cidade lembram muito as regiões mais modernas do Rio e de Salvador.
Agora, então, esta cidade vai ficar ainda melhor, pois na semama passada a embaixada americana foi transferida daqui para Jerusalém, o que reduziu sensivelmente os riscos de tragédias aqui (transferidos também para a podre e já tão sofrida Jerusalém!) (*)
Em que pese eu, na semana que vem, ir também à Jerusalém... Mas, fiquem tranquilos, vou procurar ficar sempre bem longe da nova embaixada americana em Israel!
(*) Trágica, insana e desnecessária transferência "diplomática"! Custou a vida, só na semana passada, de mais de 60 palestinos, fora os milhares de feridos, em Gaza!
Foto: Na verdade, tenho mais que uma janela, tenho um terraço inteiro, do meu apart-hotel, com vista panorâmica de 360 graus de Telavive, com direito a um pedaço da costa oriental do Mediterrâneo.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
maresia
Voando para um porto seguro, a caminho de um arraial de ajuda, só esperando não aportar tão seguramente a ponto de ficar trancoso. (rsrsrs)
Estou morrendo de saudade e desejo do mar e das minhas ensolaradas, quentes, aconchegantes, apaziguantes, calorosas, salinas e arenosas origens trópico-litorâneas.
Afinal, todos nós (mesmo os Mineiros!) somos seres das águas, filhos das águas, e precisamos frequentemente retornar à fonte para renascer, nos rebatizar e reviver.
É preciso se jogar, se perder, soçobrar, submergir, naufragar, emergir e se salvar no mar, sob pena de, perdendo a identidade aquático-marítima, desaprender a nadar e morrer afogado.
É essencial, necessário, vital, renovar-se para poder novamente merecer as bênçãos e as graças dos especiais e superiores espíritos e divindades das águas.
E lá vou eu, depois de quase três longos anos (acho que nunca fiquei tanto tempo assim desmareado e desalinizado!) de separação, secura, destempero, friagem, falta de insolação, solidão e desolação.
Enfim, estou voltando aos mares, nem que seja por apenas quinze dias.
Quinze dias... pra um Mineiro que já viveu dez anos no litoral isso é muito pouco, mas, melhor um pouco do que nada, vamos lá.
Às vezes tenho a leve impressão, como o aroma de uma boa e suave maresia que o vento leste trazia (e que o meu olfato ainda sente de fato), que o fim dos meus dias vai se dar, inescapavelmente, à beira-mar.
(Post no facebook em 09/01/2018)
quinta-feira, 1 de junho de 2017
kashmir
one day I'll go to Kashmir
with no ticket to return,
no tears and no fear
um dia irei pra Cachemira
sem passagem de volta,
sem choro e sem medo
R. Brumbe 01/6/16 - 01:34 am
listening Kashmir / Led Zeppelin
with no ticket to return,
no tears and no fear
um dia irei pra Cachemira
sem passagem de volta,
sem choro e sem medo
R. Brumbe 01/6/16 - 01:34 am
listening Kashmir / Led Zeppelin
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
crossing II
my abbey road crossing - heavy version
london, june 2nd, 2015
background sound:
she's so heavy - lennon / mccartney,
abbey road, Beatles
(video available in my facebook's timeline at october 13, 2016)
london, june 2nd, 2015
background sound:
she's so heavy - lennon / mccartney,
abbey road, Beatles
(video available in my facebook's timeline at october 13, 2016)
domingo, 28 de junho de 2015
Praças de Braga a Praga
Praças de Braga a Praga
Na torre lateral, o ancestral relógio orloj
aponta o caminho das estrelas, ainda hoje.
E indica o ziguezague da lua no zodíaco,
e o rastro do sol do oriente
parabolando pro ocidente.
Mas, há algo estranho, esquisito,
algo astronomicamente recorrente,
um vai e vem cíclico, maníaco.
É que toda a história da civilização ocidental,
do dito mundo moderno atual,
começou e há de terminar,
e talvez recomeçar,
por sorte ou desgraça
inexorável, fatal,
em alguma praça
de Braga
a Praga.
(uma tcheca, outra em Portugal)
E em cada sombra de árvore,
em cada banco ao sol,
em cada gramado,
em cada escada escalada,
em cada recanto isolado e esquecido,
há o desejo e a possibilidade da parada,
do repouso, da quietude e do simples ficar,
que levam às templárias naves temporárias,
onde se pode embarcar
para os nebulosos e vaporosos
passados milenares do lugar.
Já subindo degrau por degrau, platô após platô,
se alcança, finalmente, imensos patamares
de onde é possível vislumbrar, ao largo,
as bruxuleantes caravelas portuguesas
que já navegaram naqueles longínquos mares.
(só não é possível dizer se são as mesmas)
Mas, é nas mesinhas dos cafés da praça
que a gente sempre senta pra tomar uns chopes
de duas horas e meia antes do almoço.
Mera desculpa, ardil, estratagema,
para saborear a graça
do vai e vem da moça.
(aquela do Theoremma)
Porém, na casa da rainha, sua flâmula, a Union Jack,
flameja seu blue’n’red e flutua on the Windback.
But, as they Sold the England by the Pound,
there is no glory, no victory, no proud,
e todo dia milhares de pessoas vagueiam insanas
ao vento gelado que sopra do oeste
no grande largo das rainhas anglicanas.
Dizem que há um terrível vaticínio
inscrito a ferro e fogo nas pedras
das catacumbas subterrâneas
no meio da praça do Vaticano.
Inescapável Lei Pétrea?!
E da arcada do meio veio um grito e um chiado,
não sei se de gente ou de bicho mateiro.
Algo agourento? Talvez apenas um miado.
Mas, não há com o quê se preocupar,
pois o desesperado fim do mundo
ainda demanda três séculos e meio
para, enfim, chegar.
sábado, 13 de junho de 2015
Insomnia
Insomnia
From the beginnings
Across the crossings
By the pillowwings
Until the finishings
Insônia
Dos iniciandos
Através das travessias
Pelos travesseiros alados
Até os terminandos
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Embarque
Embarque
Na sala de embarque de Heathrow
não há quem queira embarcar
nem de navio, trem ou avião.
Ninguém quer ir, todos querem ficar.
E da parede ao fundo vem uma canção,
aquela do Pink Floyd in The Wall:
Goodbye cruel world
I’m leaving you today
Goddbye
Goodbye
Goodbye
segunda-feira, 1 de junho de 2015
London in the brain
London In The Brain
Back to my city, again,
under sun, moon, stars, fog or rain,
there are allucinated desires to forever remain.
But, I know very well, it is totally insane.
It's like to drive on a strange and dangerous lane
always looking at an unknown pane.
To take a train to travel to Maine,
or a boat to sail to Suriname,
or a bike to ride to Xerem.
Misfortune without name.
By fortune, from here I carry one gain:
I never go away the same.
(photo: in the Big Ben)
Londres No Cérebro
De volta à minha cidade, novamente,
sob sol, lua, estrelas, névoa ou chuva,
há desejos alucinados de ficar para sempre.
Mas, eu sei muito bem, isto é loucura total.
É como dirigir numa estrada estranha e perigosa
sempre olhando para um altidor desconhecido.
É como pegar um trem pro Maine,
ou um barco pro Suriname,
ou uma bicicleta pra Xerem.
Infortúnio sem nome.
Por sorte, daqui levo um ganho:
Eu nunca vou embora o mesmo.
Caçador de cidades estrangeiras
Caçador de cidades estrangeiras
Tornei-me um caçador de cidades estrangeiras
Mas, caçador pelo simples prazer de degustar a caça
sentindo seus aromas e sabores
Pois, não as devoro inteiras
Deixo grande parte para outros predadores
Neste safari, já abati Braga em Portugal, nada mal.
Agora, enfim, chegou a vez da irlandesa Dublin
As próximas são antigas, já abatidas, são refeições repetidas.
Mas, sempre valem novas boas mordidas
(foto oficial pro meu mural:
Trinity College, minha universidade irlandesa)
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Beerbaria
Beerbaria
Se eu fosse um inveterado cervejeiro,
estaria no paraíso, seria festeiro
que nem um galo no próprio terreiro,
e beberia até virar bebum encrenqueiro
Mas, como agora virei gente fina
e só bebo finos e bons vinhos,
vou beber só um pouquinho,
a conta pra ganhar una lembrancina,
que só pode ser um canequinho.
(in front of the fábrica da Guinness, Dublin, Ireland)
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Bacalhau II
Bacalhau II
Quanto tempo dura um bordado de linha quase de algodão feito numa toalha de pano, duvidosamente de algodão, de uma mesa de restaurante cujos pratos principais são à base de bacalhau?
E quanto tempo dura a tinta de uma caneta bic e um guardanapo de papel, ambos quase totalmente sintéticos, rabiscados sobre uma mesa de restaurante cujos pratos especiais são à base de bacalhau?
Com certeza o tempo de duração, ou de vida útil, da toalha é muito maior do que o do papel (em dezenas de anos ou até mais de um século!)
Pois é isso que as fiéis e leais bordadeiras do Minho sempre pretenderam fazer e ofertar, consciente ou inconscientemente, aos casais de amantes e namorados de Braga: estender, ampliar e solidificar as suas juras e promessas de amor transpondo-as, transferindo-as, de míseros, fugazes, descartáveis e biodegradáveis poucos meses e anos de papel para mais ricos, perenes, duráveis e recicláveis anos e séculos de pano.
Desconfio que as tais bodas de papel, bodas de pano e as outras consecutivas bodas mais sólidas, caras e brilhantes têm tudo a ver com as tradições das namoradeiras e das bordadeiras de Portugal.
(para quem quiser entender as origens, as causas e os antecedentes e, ainda, os preâmbulos, os prelúdios e os precedentes deste post, leia meu post anterior: o “Bacalhaul” ou “Bacalhau I”)
sábado, 23 de maio de 2015
Bacalhaul
Bacalhaul
Numa mesa portuguesa,
com certeza
de dona portuguesa,
leal é lial.
Não sei se cá é mesmo lialdade
ou se é pura falta de lealdade
com o português.
Talvez é que,
seja lá porque,
lial seja "o" teu
e leal seja "ao" meu.
Mas, sob qualquer ortografia
(mera questão de geografia)
seja leal, seja lial,
valeu pelo vinho
e pelo bacalhau.
(Taberna Pedralva, em frente ao Castelo de Braga, Braga, Portugal)
PS: Antes que os meus queridos amigos portugueses se sintam eventualmente constrangidos, ou até mesmo ofendidos, quero deixar claro que isto é muito mais que uma mera brincadeira. É uma homenagem a um belo e romântico costume dos casais de namorados da região do Minho nas suas festas populares. As estampas destas toalhas de mesa são cópias exatas dos bilhetinhos amorosos que eles trocam entre si. Há, também, o fiel e LEAL trabalho das bordadeiras que mantêm a tradição de elaborar os bordados exatamente da forma como foram escritos e desenhados em tais bilhetinhos. Ocorre que, assim como acontece em qualquer lugar do mundo, nem todos os namorados são perfeitamente "letrados". É como uma namoradeira bordadeira brasileira mineira que escreva e borde: "ti amo dimais da conta sô". Enfim, o que eu quis, acima de tudo, foi ressaltar e homenagear o caráter pitoresco e curioso de uma dupla tradição popular muito bonita e interessante da região do Minho, em Portugal: a de seus casais de namorados e a de suas fieis e leais bordadeiras.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Terras do Meio
Terras do Meio
Quando ando em meio a terras desconhecidas,
e mesmo nas já quase meio conhecidas,
vou sempre todo quase meio vazio
e volto sempre quase todo meio cheio.
Vou pelas metades mais quebradas
e volto pelas metades mais inteiras.
Pois, indo pelas partidas,
de meio em meio
penso que me inteiro
e venho pelas chegadas.
(em terras do Minho: Torre de Menagem, Braga, Portugal)
domingo, 8 de março de 2015
Caraíva
Caraíva
Enfim, depois do carnaval,
Chego à janela do meu endereço oficial
nos próximos quinze ou mais dias,
em Caraíva nas Bahias.
Que maravilha!
Metade da família
mareando em Caravília.
A outra metade pode vir muito bem
de avião, táxi, busão, balsa, canoa,
carroça, charrete e pesão.
Mas, vem numa boa,
pois nem precisa de trem.
Mais uma vez lá vou eu
encarar este dia meu
com toda a certeza
de só ver beleza.
Praia e mar sem fim
Areia amarelo marfim
Águas verde turquesa
Céu esmeralda azul
Caminha só uma incerteza:
Rumo norte ou rumo sul?
(ou leste, enfim!)
Ruas de Caraíva
É muito bom poder caminhar somente,
solene e sonolentamente,
no silêncio destas ruas de areias super quentes
ondulantemente salientes,
saboreando as cores corridas
destas paredes mornas e coloridas,
ao cheiro salgado das ondas
que trazem à alma, em vagas ondas,
todas as suas doces visões terrenas,
submarinas, sobre marítimas e hiper marítmicas.
Dias de Chuva
Dias de chuva no mar
Encontro das águas:
As de cima cismam
de nas de baixo baixar
É Caraíva com cara de chuva
Beleza de todo jeito, de se apaixonar.
Maris Noturnus
Bom mesmo são os mares noturnos
Mares diurnos são muito quentes,
incandescentes, indecentes,
impertinentes, infringentes.
Têm muita gente.
Mares noturnos são soturnos
sem certo rumo
de incerto turno
São apaziguadores,
desarmadores,
embarcadores,
abarcadores.
Domadores
de dores.
Basta uma lua clara,
ondas batendo espumas brancas,
o pisca-farolzinho de Corumbau,
e nem mais o escambau.
Um uisquinho na mesinha ao lado
Tudo assim, calado.
E eu aqui ficaria
mais uns tantos dias
Mas só às noites,
sem dias.
Último dia em Caraíva
procurando uma saída
Embora gostando daqui,
precisando embora ir
Mas, qual caminho seguir?
Nenhum indica Beagá
Acho melhor eu ficar!
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