sexta-feira, 2 de agosto de 2013

The doubt essential to faith

(tradução em Português, logo adiante)


author of  “The First Muslim”, a new look at the life of Muhammad.



Muhammad did not come floating off the mountain as though walking on air. He did not run down shouting, "Hallelujah!" and "Bless the Lord!" He did not radiate light and joy. There were no choirs of angels, no music of the spheres, no elation, no ecstasy, no golden aura surrounding him, no sense of an absolute, fore-ordained role as the messenger of God. That is, he did none of the things that might make it easy to cry foul, to put down the whole story as a pious fable. Quite the contrary. In his own reported words, he was convinced at first that what had happened couldn't have been real. At best, he thought, it had to have been a hallucination -- a trick of the eye or the ear, perhaps, or his own mind working against him. At worst, possession -- that he'd been seized by an evil jinn, a spirit out to deceive him, even to crush the life out of him. In fact, he was so sure that he could only be majnun, possessed by a jinn, that when he found himself still alive, his first impulse was to finish the job himself, to leap off the highest cliff and escape the terror of what he'd experienced by putting an end to all experience.


This might be somewhat difficult to grasp now that we use the word "awesome" to describe a new app or a viral video. With the exception perhaps of a massive earthquake, we're protected from real awe. We close the doors and hunker down, convinced that we're in control, or, at least, hoping for control. We do our best to ignore the fact that we don't always have it, and that not everything can be explained. Yet whether you're a rationalist or a mystic, whether you think the words Muhammad heard that night came from inside himself or from outside, what's clear is that he did experience them, and that he did so with a force that would shatter his sense of himself and his world and transform this otherwise modest man into a radical advocate for social and economic justice. Fear was the only sane response, the only human response.


If this seems a startling idea at first, consider that doubt, as Graham Greene once put it, is the heart of the matter. Abolish all doubt, and what's left is not faith, but absolute, heartless conviction. You're certain that you possess the Truth -- inevitably offered with an implied uppercase T -- and this certainty quickly devolves into dogmatism and righteousness, by which I mean a demonstrative, overweening pride in being so very right, in short, the arrogance of fundamentalism. It has to be one of the multiple ironies of history that a favorite expletive of Muslim fundamentalists is the same one once used by the Christian fundamentalists known as Crusaders: "infidel," from the Latin for "faithless." Doubly ironic, in this case, because their absolutism is in fact the opposite of faith. In effect, they are the infidels. Like fundamentalists of all religious stripes, they have no questions, only answers. They found the perfect antidote to thought and the ideal refuge of the hard demands of real faith. They don't have to struggle for it like Jacob wrestling through the night with the angel, or like Jesus in his 40 days and nights in the wilderness, or like Muhammad, not only that night on the mountain, but throughout his years as a prophet, with the Koran constantly urging him not to despair, and condemning those who most loudly proclaim that they know everything there is to know and that they and they alone are right.





Could Muhammad have so radically changed his world without such faith, without the refusal to cede to the arrogance of closed-minded certainty? I think not. After keeping company with him as a writer for the past five years, I can't see that he'd be anything but utterly outraged at the militant fundamentalists who claim to speak and act in his name in the Middle East and elsewhere today. He'd be appalled at the repression of half the population because of their gender. He'd be torn apart by the bitter divisiveness of sectarianism. He'd call out terrorism for what it is, not only criminal but an obscene travesty of everything he believed in and struggled for. He'd say what the Koran says: Anyone who takes a life takes the life of all humanity. Anyone who saves a life, saves the life of all humanity. And he'd commit himself fully to the hard and thorny process of making peace.

Lesley Hazleton is a psychologist by training and Middle East reporter by experience. British-born, she has spent the last ten years exploring the vast and often terrifying arena in which politics and religion, past and present, intersect. She's written about the history of the Sunni/Shi'a split, as well as books on two of the Bible's most compelling female figures: Mary and Jezebel.
Her latest book is The First Muslim, a new look at the life of Muhammad, the founder of Islam. In researching her book, she sat and read the full Koran again -- exploring the beauty and subtlety in this often-misquoted holy book. As she says: " I’m always asking questions — not to find “answers,” but to see where the questions lead. Dead ends sometimes? That’s fine. New directions? Interesting. Great insights? Over-ambitious. A glimpse here and there? Perfect."


Transcrição de palestra proferida e publicada no site TED (Technology, Entertainment and Design), em Junho-2013.
 

A dúvida essencial para a fé


Autora de “O Primeiro Muçulmano”, um novo olhar sobre a vida de Maomé

Escrever biografias é uma coisa muito estranha. É uma viagem através do território estrangeiro da vida de outra pessoa, uma jornada, uma exploração que pode levá-lo a lugares onde você nunca sonhou ir e ainda assim deixá-lo em dúvida se realmente esteve lá, especialmente se, como eu, você for um judeu agnóstico e a vida que você estiver explorando for a de Maomé.

Cinco anos atrás, por exemplo, eu acordava cada manhã na nebulosa Seattle perguntando a mim mesma uma coisa cuja resposta eu sabia ser impossível: O que realmente aconteceu naquela noite no deserto, quando metade do mundo e quase metade da sua história se afastaram de nós? Isto é, o que de fato aconteceu naquela noite do ano 610, quando Maomé recebeu a primeira revelação do Corão, nas montanhas dos arredores de Meca? Aquele foi o momento místico central, fundamental, do Islamismo, e como tal, é claro, ele desafia análises empíricas. Ainda assim, a questão não me deixaria tão facilmente. Eu estava plenamente ciente de que para alguém tão leigo como eu, o simples fato de questionar isto poderia parecer muita pretensão e arrogância. E eu chamei para mim mesma toda a responsabilidade, porque toda exploração, física ou intelectual, desse tipo, inevitavelmente é, em certo sentido, um ato de transgressão, de ultrapassagem de fronteiras.

Mesmo assim, algumas fronteiras são mais extensas do que outras. Então, um ser humano ter se encontrado com o Divino, como os muçulmanos acreditam que Maomé conseguira, para os racionalistas não é um fato real, mas simples desejo, fé, pura ficção, e, como todos nós, eu me considero racional. O que pode ter sido o caso, porque quando eu analisei os antigos documentos que nós temos sobre aquela noite, o que mais me impressionou não foi o que aconteceu, mas, sim, o que não aconteceu. 

Maomé não saiu flutuando da montanha, como que caminhando no ar. Ele não desceu correndo e gritando “Aleluia!” e “Abençoado Senhor!”. Ele não irradiou luz e felicidade. Não havia um coro de anjos, nenhuma música celestial, nem êxtase, nem orgulho e felicidade, nenhuma aura dourado em torno dele, nenhum sentido de absoluto, como portador de lei divina, como mensageiro de Deus. Isto é, ele não fez nenhuma das coisas que poderiam facilmente fazer chorar os crentes, sacramentando toda a história como grande fábula de fé e devoção. Muito pelo contrário, de acordo com as suas próprias palavras escritas, ele estava totalmente convencido de que o que tinha acontecido não poderia ter sido real. No melhor dos casos, ele pensara, aquilo tinha que ter sido uma alucinação – uma ilusão dos olhos ou dos ouvidos, talvez, ou sua própria mente enganando-o. No pior dos caos, uma possessão – que ele teria sido possuído por um demônio, um espírito maléfico e enganador, disposto até mesmo a tirar sua vida. Na verdade, ele estava tão seguro de que somente poderia ter sido possuído pelo diabo, que quando ele percebeu que ainda estava vivo, seu primeiro impulso foi acabar logo com aquilo, pular fora da alta montanha e escapar do terror que ele havia sentido, pondo um fim a toda aquela experiência.

Então, o homem que desceu da montanha naquela noite estava tremendo não de alegria e júbilo, mas de completo medo primitivo, animal. Ele estava dominado não por convicção, mas por dúvida. E aquele pânico desorientado, aquela perda de sentido de tudo que fosse familiar, aquele assustador conhecimento de alguma coisa muito além da compreensão humana, somente poderia ser classificado como um terrível pavor. De alguma forma, hoje pode parecer difícil entender que usemos a palavra “apavorante” para descrever um novo aplicativo de internet ou um vídeo viral. Com exceção, talvez, dos grandes terremotos, nós estamos protegidos do pavor real. Nós fechamos as portas de nossas casas e nos enclausuramos convencidos de que tudo está sob controle, ou, pelo menos, esperamos que esteja. Nós fazemos o máximo para ignorar que nem sempre é assim, e que nem tudo pode ser explicado.

Ainda que você seja racionalista ou místico, que você pense que as palavras que Maomé ouviu naquela noite vieram de dentro dele ou de fora, o que está claro é que ele as experimentou, e que ele as percebeu com uma força tal que teria abalado seu sentido de si próprio e de seu mundo, e transformado este outrora modesto homem em um radical defensor da justiça social e econômica. Medo era a única resposta sensata, a única resposta humana.

Demasiadamente humana para alguns, como os teólogos muçulmanos conservadores que sustentam que a razão do seu desejo de se matar não deveria sequer ser mencionada, apesar do fato disso estar registrado nas mais antigas biografias islâmicas. Eles insistem que ele jamais duvidou por um momento sequer, mesmo sozinho e desesperado. Exigindo perfeição, eles, tais teólogos, se negam a tolerar a imperfeição humana. Mas o quê, exatamente, há de imperfeito na “dúvida”? Enquanto lia aqueles documentos antigos, me dei conta de que era precisamente a Dúvida de Maomé o que o trazia vivo perante mim, o que me permitia começar a vê-lo inteiramente, ambientá-lo à integridade da realidade. E quanto mais eu penso nisso, mais faz sentido que ele tenha duvidado, porque a dúvida é essencial para a fé.

Se à primeira vista isto lhe parece uma idéia surpreendente, considere que a dúvida, como Graham Greene uma vez colocou, é o coração da questão. Abolindo toda dúvida, o que resta não é fé, mas a mais absoluta convicção sem coração. Você está certo de que possui a Verdade – inevitavelmente ofertada com um subentendido V maiúsculo – e isto certa e rapidamente se transforma em dogmatismo e código de conduta, pelos quais eu percebo a demonstração de um orgulho presunçoso em ser tão absolutamente direito, ou seja, a arrogância do fundamentalismo. Tinha que ser uma das muitas ironias da história que uma exclamação, ou denominação, favorita do fundamentalismo muçulmano seja a mesma várias vezes utilizada pelos fundamentalistas cristãos conhecidos como Cruzados: “infiel”, que vem do Latim e significa “não fiel”, “sem fé”, “pagão” ou “não religioso”. Duplamente irônico, neste caso, porque o seu significado absoluto é, de fato, o oposto de “fé”. Realmente, eles são os infiéis. Como os fundamentalistas de toda e qualquer religião, eles não têm questionamentos a fazer, apenas respostas a dar. Eles encontraram o antídoto perfeito contra o pensamento livre e o refúgio ideal perante as difíceis exigências da verdadeira fé. Eles não tiveram que lutar por isso, como Jacob digladiou com o anjo por toda a noite, ou como Jesus se martirizou nos seus 40 dias e noites no deserto, ou como o próprio Maomé lutou, não somente naquela noite na montanha, mas através de anos e anos como profeta, com o Corão constantemente insistindo para que ele não perdesse a esperança, condenando todos aqueles que mais bravata e ruidosamente proclamavam que sabiam de tudo o que havia para saber, e que eles, e somente eles, é que estavam certos.

E todos nós, a imensa e, ainda por demais, silenciosa maioria, temos cedido muito terreno e a cena pública para essa minoria de extremistas. Nós permitimos que o Judaísmo fosse utilizado para justificar os assentamentos de colonizadores messiânicos violentos na Cisjordânia, que o Cristianismo fosse dominado por homofóbicos hipócritas e misogínicos fanáticos, que o Islamismo fosse contaminado por homens-bomba suicidas. E nos deixamos ficar cegos para o fato de que não importa se eles se proclamam Cristãos, Judeus ou Mulçumanos. Militantes extremistas não pertencem a nenhuma dessas três grandes religiões. Todos eles pertencem a uma outra seita própria: irmãos de sangue pisando no sangue de outras pessoas.

Isto não é fé. Isto é fanatismo, e nós temos que parar de confundir os dois. Nós temos que reconhecer que a verdadeira fé não tem respostas fáceis. Isto difícil e árduo. Isto implica numa luta constante, num contínuo questionamento sobre o que nós achamos que sabemos, uma batalha entre perguntas e idéias. E isto sempre caminha lado a lado com a dúvida, numa interminável conversação, e algumas vezes em conscientes desafios mútuos.                                                                                
E este desafio é consciente porque eu, como agnóstica, posso ainda ter fé. Eu tenho fé, por exemplo, que a paz no Oriente Médio é possível apesar do acúmulo maciço de evidencias em contrário. Eu não estou convencida disso. Eu posso firmemente dizer que acredito nisso. Eu posso somente ter fé nisso, entregando-me à idéia disso, e faço isso precisamente devido à tentação de erguer minhas mãos em resignação, baixar a cabeça e me retirar em silêncio.

Porque a desesperança se auto-alimenta, e se nós achamos que algo é impossível, nós agimos dessa forma e fazemos para que assim seja. E eu, por minha vez, me recuso a viver dessa maneira. Na verdade, a maioria de nós é assim, não importa se somos ateus ou crentes ou alguma coisa entre ou além disso, porque o que importa, o que nos guia, é que, apesar das nossas dúvidas ou mesmo por causa delas, nós rejeitamos o niilismo da desesperança. Nós insistimos em ter fé no futuro e em cada um de nós. Chame isso de ingenuidade, se você quiser. Chame isso de idealismo impossível, se você precisar. Mas uma coisa é certa: precisa chamar isso de humano.

Poderia Maomé ter mudado tão radicalmente seu mundo sem tal fé, sem ter se negado a ceder à arrogância da certeza das mentes fechadas? Eu penso que não. Depois de ter mantido contato com ele, como escritora, nos últimos cinco anos, eu não consigo ver que ele pudesse ter se sentido nada menos do que profundamente ultrajado pelos militantes fundamentalistas que proclamam falar e agir em seu nome no Oriente Médio ou em qualquer lugar, hoje. Ele teria se assustado com a repressão de metade da população por causa do seu gênero (mulheres). Ele teria ficado dilacerado vendo a cruel divisão do sectarismo. Ele teria classificado o terrorismo pelo que ele é, não apenas como ato criminoso, mas como uma obscenidade travestida de tudo em que ele acreditava e por que lutava. Ele teria dito o que o Corão diz: Qualquer um que tire uma vida, tira a vida de toda a humanidade. Qualquer um que salve uma vida, salva a vida de toda a humanidade. E ele teria se entregado inteiramente ao duro e espinhoso processo de fazer a paz.

sábado, 6 de julho de 2013

o que sequer se quer

O que se quer dizer,
sequer será dito.
E o que sequer foi dito,
jamais se quer dizer.
 
Ainda assim,
já há mais o que dizer,
ou jamais o que dizer,
ainda há, sim.

Coisas a dizer
são coisas de ser.
De qualquer ser?
Não! Só de qual quer ser!

O que sequer se quer,
não sei se é de se esperar,
mas é de se desesperar.

Só sei que seja quem,
se quer ser o dito,
sequer será dito,
e se quer ser a dita,
também sequer será dita.

Desdita será!
Será desdita?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

arroz, milho e trigo


arroz, milho e trigo
 

Num fim de semana desses lá em casa, o meu genro, o Bê, no meio de uma conversa sobre comida – onde falava-se de milho, pamonha, mingau e outros derivados desse cereal –, levantou uma bola pra mim chutar (uma bola que, na verdade, eu já tinha passado pra ele meses atrás):
– E aí, Robertinho, e aquela história do milho... conta aí.
Acontece que eu não sou muito bom contador de histórias, principalmente com muita gente ouvindo, e muito menos sou bom de bola, ou bom da bola, sei lá. Tenho essa coisa de não gostar de falar muito, e nem muita paciência pra falatório. Abrevio muito as coisas que quero ou preciso falar, como se tivesse preguiça da oratória, e vai ver tenho mesmo.
O meu negócio é escrever. Bem ou mal, mas, escrever. Quando a gente escreve, há mais tempo para pensar no que se quer dizer, e o risco de falar asneira é bem menor, não é mesmo?! Não que escrevendo, a pessoa esteja totalmente imune a dizer besteiras, mas que assim procedendo reduz sensivelmente a probabilidade dessas ocorrências.
Daí que eu respondi ao passe de bola do B, simplesmente dizendo que o milho é um cereal estranho, transgênico ou artificial mesmo, e que a capa do seu grão é a prova disso – e a prova dágua, também –, pois é feita de um material plástico. Claro que ninguém entendeu muito bem a minha colocação, pois a questão exige explanação bem mais longa, detalhada, e profunda.
Vi e ouvi isso, há alguns anos, numa dessas matérias de assuntos ufológicos ou extraterrestres – que costumam me deixar, vidrado, fascinado – num canal de TV (NatGeo, Discovery ou History), e as argumentações e “provas” da tese apresentada me pareceram bastante interessantes e plausíveis:
Dizia que todas as antigas e primordiais civilizações humanas do planeta Terra não têm origem no próprio planeta, mas, sim, em outros planetas, de outras galáxias, ou seja, que o nosso planeta foi, na verdade, colonizado por civilizações extraterrestres, e que, portanto, todos nós somos descendentes de povos oriundos do universo extra-planetário.
E que tal colonização foi dividida – por acordos e tratados ou por mera casualidade ou por questões de oportunidade e interesse, inclusive econômico, envolvendo até guerras – entre três grandes civilizações humanas extraterrestres, bastante semelhantes entre si, mas de culturas, sociedades, filosofias, políticas, tecnologias, etc, significativamente diferentes.
E que então, de fato, foram fundadas três colônias em três grandes regiões geográficas do planeta: a primeira nas Américas (Norte, Central e Sul), a segunda abrangendo a Europa e o Oriente Médio, e a terceira englobando todo o restante da Ásia e a Oceania – não necessariamente nessa ordem de fundação. O que não ficou muito claro é a situação da África: se os africanos, ou a raça negra, são também “extras”, de uma quarta civilização, ou se são originários, únicos, do próprio planeta.
Estas colonizações teriam ocorrido logo após o grande cataclismo planetário que extinguiu os gigantescos animais que predominavam na Terra até então, os Dinossauros.
Uma das principais “provas” apresentadas diz respeito às diferenças fisionômicas, ou de biótipos, das populações originais dessas regiões do planeta: os vermelhos americanos, os brancos europeus, os negros africanos e os amarelos asiáticos. Sem falar das gritantes diferenças de modos de associação coletiva, princípios éticos, morais e sociais, hábitos, costumes, técnicas, crenças, etc.
Outra “prova” mostrada são as diferenças arquitetônicas das moradias e dos monumentos desses povos: as cabanas americanas, os pagodes chineses, as casas de bambu e papel japonesas, as pirâmides egípcias (em que pese haver ruínas de pirâmides também na América Central e na Ásia; o que é outra história, talvez de “intercambio cultural” entre os povos).
Mas a “prova” que eu achei mais interessante, e aqui entra o caso do milho, foi a das diferenças na agricultura e na alimentação, mais precisamente na diversidade dos grãos básicos, os cereais fundamentais, para produção de alimentos nas três regiões: o milho nas Américas, o trigo na Europa e Oriente Médio, e o arroz na Ásia. Afirmaram que três agriculturas tão diferentes somente poderiam ser cultivadas por povos também bastante diferentes, geograficamente isolados não só no planeta como também oriundos de pontos diferentes do próprio espaço interplanetário.
E o que eu achei ainda mais interessante foi o que eles disseram sobre o milho: que, ao contrário do arroz e do trigo, era um cereal “estranho”, não muito adaptável às condições terrenas, climáticas e ambientais do planeta, e que foi, por isso, de cerca forma “adaptado” ou manipulado geneticamente para poder ser cultivado aqui.
Mas que, mesmo assim, o milho não se adequou perfeitamente ao metabolismo dos seres descendentes coloniais, no caso, os índios americanos, visto que a “capa plástica” que envolve o grão nunca é absorvida satisfatoriamente pelos órgãos digestivos dos humanos terráqueos – disso eu sempre desconfiei, tanto que nunca gostei de comer milho em grão, assado ou cozido ou de qualquer outro jeito. Milho, pra mim, só se for mingau, pamonha ou coisa assim, sem casca; assim como procedo com o camarão, que só como retirando a carapaça que também é “plástica”, mas isso é, também, outra história – ou será que o milho e o camarão vieram do mesmo planeta? Pode ser! É o planeta dos seres plastificados! 
E fiquei pensando comigo mesmo: será que essa falha ou defeito do milho tem algo a ver com a misteriosa extinção das civilizações que o plantavam e o comiam regularmente? Pobres Mayas, foram dizimados por intoxicação no milharal! Isso é o que dá comer coisas sem confirmar a procedência!
E já que começamos falando de bola e terminamos falando de Mayas, sabiam que quem inventou o futebol foram eles e não os Ingleses? Pois é, vi isso também num desses programas do History Channel: os Mayas praticavam um esporte, também jogado por duas equipes, muito parecido com o atual futebol, só que era um futeredi, ou foothead em inglês. Era assim: depois das batalhas, eles decepavam as cabeças dos inimigos, colocavam-nas em um campo aberto e plano, e chutavam as mesmas em direção a duas metas opostas (duas traves e uma espécie de pano ou rede formando um “gol” com cerca de três metros, em cada extremidade do campo), e o time que juntasse mais cabeças dentro desse gol era o vencedor!
O que é que isso tem a ver com o nosso assunto principal, o milho? Nada! A não ser, talvez, que o fato dos Mayas terem comido muito milho extraterrestre transgênico possa ter lhes afetado tanto a cabeça a ponto de levá-los a praticar esportes tão sinistros e macabros como esse futeredi, e até induzi-los a cometer suicídio coletivo, provável razão da sua extinção!    

sábado, 8 de junho de 2013

an assault in the middle of the crowd


alt, aut, ault, aunt, oud, oubt, out, outh,
ought, owd, owth and ult rhyme series
 
 
an assault in the middle of the crowd
The initial assault
had been began and brook out
just in the middle of the crowd.
The reason, nobody had any doubt.
But don’t worry, don’t exalt,
it wasn’t, anyway, your fault.
Even if they had said you couldn’t get out.
Someone in the halt
know it very well, inside out,
that that wasn’t a simple jaunt.
And before quickly kick out,
congratulating himself and laughing loud
hold tight his own mouth.
But the action resulted in nought,
because to comprehend he ought
that cases like this doesn’t deserve proud.
As well as “out of the question” is a “question out”,
the fiasco, the result,
was like a pasta with no sauce neither salt.
And throughout
the undergrounds,
on all the vaults,
whereabouts,
now the youth
worth zero, i.e., nought.
 
 
um ataque no meio da multidão
O ataque inicial
havia sido iniciado e terminado
bem no meio da multidão.
A razão, ninguém tinha qualquer dúvida.
Mas não se preocupe, não se exalte,
não foi, de jeito nenhum, culpa sua.
Mesmo se eles tivessem dito que você não poderia sair.
Alguém na parada
sabia muito bem, detalhadamente,
que aquilo não era um simples passeio a lazer.
E antes de cair fora rapidamente,
parabenizando-se e rindo alto
segurou firme sua própria boca.
Mas a ação resultou em nada,
porque ele deveria compreender
que casos como esse não merecem orgulho.
Tão bem com “fora de questão” é uma “questão fora”,
o fiasco, o resultado,
foi como uma macarronada sem molho nem sal.
E através
dos subterrâneos,
em todas as sepulturas,
onde quer que esteja,
a juventude, agora,
vale zero, isto é, nada.

domingo, 26 de maio de 2013

Òtòkid nap a Budapesti – Margit Sziget

Òtòkid nap a Budapesti – Margit Sziget
Quinto dia em Budapeste - Ilha Margarida


no breakfast: tomate e pepino, pode?! em Budapeste, pode!!
(cheguei a pensar que fosse caqui e kiwi, quem dera!) 

O ticket de metrô do meu último tour, na temporada, em Budapeste. Qual é o número final, na dezena?! Qual?! Tinha que ser ele, né?! (até esta foto, podem crer, está registrada como DSC01552)
Aliás, hoje o meu "balcão ambulante de informações  metroviárias" funcionou a plena carga: na estação Dáek, tive que orientar um paquistanês e um casal de japoneses, simultaneamente (em inglês, claro), a encontrarem seus destinos. Parece que quanto mais tempo eu fico numa cidade, mais as pessoas vão percebendo que eu estou conhecendo mais a tal cidade, e começam a me pedir informações cada vez mais!!!
(e é muito engraçado isso: as "coincidências" dos 52 coincidirem com aumento dos pedidos de informação!)

a Margitsziget, Ilha Margarida, vista da Margithid, Ponte Margarida
 
 
a Ponte Margarida, vista da Ilha Margarida
(Margarida era a Sissi da Hungria)

A pista de corrida da ilha (nela só pode correr, se andar eles atropelam!). Circunda a ilha toda, tem cerca de 6 km e o piso é todo emborrachado (espuma de borracha)

caminhando na ilha e admirando o Danúbio
 
ruínas romanas de uma antiga fortaleza nas margens da ilha

centro moderno de Peste (norte) visto da ilha
 
centro moderno de Buda (norte) visto da ilha

este é o 52 da Váci Útka, Rua Váci, a rua mais famosa de Budapeste
(porque somente hoje é que ele resolveu aparecer na minha frente?!)

Olha ele aí de novo!!! No trolleybus que me leva do hotel ao metrô, justamente na volta do meu último passeio em Budapeste!
Às vezes fico pensando o que é que esses meus velhos amigos, os 52, querem me dizer. Acho que nesse caso pode ser: você está no caminho certo, vá. Vá, mas volte.
E fico imaginando como é que vai ser lá em Lisboa, onde eles aparecem tanto; depois de Londres, claro, onde eles me perseguem muito mais!
 
 

no aeroporto de Lisboa, encontrando o time de futebol sub-20 do Galo
com mais uma taça conquistada na Europa (Torneio na Holanda)