sábado, 7 de maio de 2011

Londoner Daily - 3rd day

Londoner Daily – 3rd day – 07/05/2011

Morning / Afternoon: Choveu de madrugada e amanheceu bem mais frio. Não sei porque, mas acordei cantando baixinho pra mim mesmo the “Selling England by the Pound” do Genesis. Será que tem a ver com os meus pounds que eu estou gastando in England?! Se for isso, tá invertido, porque I’m not selling, muito pelo contrário, I’m buying the England with my pounds! Mas isso são outros 500 pounds! After the breakfast (a propósito, reparem o meu desjejum habitual: uma tigela de flocos de milho, cereais e monte de coisa boa parecendo granola, tudo ao leite, tipo sopa; um prato quente com ovos, bacon, lingüiça e feijão doce – isso mesmo! – yogurte a vontade; café com leite; pão-do-jeito- que-você-quiser; bolos variados, manteiga; geléias. Um perfeito breakfast inglês! Precisa de almoço ou jantar? Mas, of course, à noite eu como mais alguma coisa nos pubs). Mas, continuando, I look for the Tube from my Paddington Station to London Bridge Station. Destino: Tower of London, Tower Bridge, London Bridge, The city e redondezas. Dessa vez pretendia ir direto, sem trocar de linha, pois sabia exatamente que trajeto fazer. Tô entendo cada vez mais esse metro! Mas qual o quê?! Justamente nesse fim de semana a minha linha (Circle / District, Lines) está inteiramente fechada pra manutenção! (eu vi esse aviso ontem nas estações, mas esqueci). Daí, os meus já profundos conhecimentos a respeito da malha metroviária de Londres foram colocados a prova, pois tiver que improvisar na hora, em frente à linha amarela! Resolvi por um dos caminhos mais curtos: peguei a Metropolitan Line até a Embankment Station e, lá, peguei aquele famoso ônibus doble-deck (o vermelão, aliás, em Londres só tem desses ônibus, e eles rodam aos bandos pela cidade toda), linha 15, até a Tower Hill Station, que está do lado oposto do Thames em relação à London Bridge Station, mas que fica colada as muralhas da Tower of London. E tudo isso deu certo! Cheguei onde eu queria! A tal da Tower Bridge (Ponte da Torre, que leva à Torre de Londres, a Tower of London, que não tem nada a ver com a London Bridge, a Ponte de Londres, que é a ponte seguinte, no sentido rio acima – só faltou eles terem construído uma Bridge Tower, Torre da Ponte, porque, aí sim, a confusão ficaria completa: tower bridge x bridge tower x tower of london x london bridge) é realmente uma das obras de arte, arquitetura e engenharia, mais belas e impressionantes do mundo ocidental (para mim, ela está entre as “dez maravilhas do mundo” de todos os tempos). Caminhando pela Tooley Street, à beira do rio Thames, entre as duas pontes (a da Torre e a de Londres), fiquei muito admirado com o contraste e a harmonia entre o antigo e o novo, entre as pontes e torres medievais e os prédios e monumentos ultramodernos, na mesma região (ver as fotos dos prédios e monumentos “ovóides”, com a Tower Bridge ao fundo). Quando eu ia atravessar de novo a Tower Bridge em direção à Tower of London, pra ir embora, resolvi comer um sanduba e tomar uma beer num simpático barzinho que fica exatamente ao lado da ponte (o Early Bird) onde o garçon é um, também muito simpático, menino lá de Patos de Minas (o KIrk – com certeza codinome de ilegal worker). Conversamos um pouco e aproveitei pra desenferrujar o português, mesmo porque ando um pouco saturado de tanto falar inglês. Na volta pro hotel, como o meu metrô tava parado, peguei o mesmo ônibus vermelhão doble deck, mas, resolvi saltar na Regent’s Street próximo à Trafalgar Square, e continuar a pé (só uns 90 minutos) pela Regent´s, Oxford Street, Edgware Road, Sussex Gardens,London Street, Norfolk Square. Foi ótima essa caminhada, porque pude andar no meio de uma multidão de autênticos “londrinos”, com um mínimo de turista por perto.Já ando meio saturado de turista também! Apesar de que, de “londrino” autêntico mesmo vi muito pouco, porque essa cidade é extremamente cosmopolita, mundial, global. Já falei dos asiáticos, mas, dentre estes, como tem indiano e muçulmano aqui! È impressionante a quantidade de turbante! E quando eu estava chegando perto do hotel, já na Edgware próximo à Sussex, ouvi três mocinhas atrás de mim conversando alto, aos berros, animada e calorosamente, em bom português ou, mais precisamente, pelo sotaque, em perfeito mineirês. Até que uma delas falou pras outras: “tem qui ralá pra carái”. Tive uma tentação danada de entrar na conversa, mas, deixei pra lá. A minha cota de conversa pro dia, em português, inglês, ou qualquer outra língua, já tinha se esgotado! Now I have to go to eat something and to drink a beer in my pub.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Londoner Daily - 1st & 2nd days

Londoner Daily – 1st day – 05/05/2011

Afternoon / Night: Desembarquei no Heathrow at 6 pm e cheguei no meu hotel at 9 pm. Tempo parcialmente nublado, com o típico fog londrino, e 19ºC oficiais com sensação térmica de 25ºC, mesmo com um ventinho meio preguiçoso! Os guias turísticos e as previsões metereológicas diziam que aqui estaria frio (média 12º). Mas, que frio que nada! Estou de camiseta e sentindo calor. A maioria das pessoas aqui, andando pelas ruas, está elegantemente encapotada até o pescoço! Acho que é porque eles acham que é fashion! Só pode ser! Ou então elas vêm de um inverno tão rigoroso que as roupas pesadas continuam no corpo por pura inércia. Quando cheguei, ainda tinha um restinho do clarão do dia, mas não dava pra sair pra muito longe. Então, o que eu fiz?! Ah, claro, fui pro pub da esquina (que nem precisava ser o da esquina, porque de uma esquina a outra só tem pub!) Mas foi o primeiro pub que eu achei pela frente. My first pub, my first english beer! Meu primeiro pub, minha primeira cerveja inglesa, só pra começar. (o primeiro pub a gente nunca esquece, tirei até várias fotos dele). E como tem hotel e pub nesse lugar! (in Bayswater, região da Paddington Station, Norfolk Square, Praed Street and London Street, aliás, esta foi a primeira rua que eu pisei em Londres, saindo da Paddington Station: a London Street, tinha que ser!) Pequenos, eficientes e aconchegantes hoteizinhos. Grandes e antigos sobradões vitorianos transformados em hotel. Hotéis cercados de Pubs por todos os lados. Londres é perfeita!!!

Londoner Daily – 2nd day – 06/05/2011

Morning: I took the Metrô from Paddington to Westminster. Mas, só cheguei ao destino planejado depois de dar umas voltinhas involuntárias por outras estações, até entender um pouco mais a lógica das várias linhas que se conectam e se cruzam nesse labirinto ferroviário-metropolitano. Porém, tudo bem, tudo ótimo! Tenho tempo de sobra! Estou por conta do à toa mesmo! I´m here just for fun! Cheguei na City of Westminster. Targets: Big Ben, Houses of Parliament, Westminster Bridge, River Thames, Westminster Abbey. Nunca vi tanto turista junto numa região só! Nem no Rio de Janeiro no carnaval! Uma maravilhosa babel! Gente do mundo inteiro. Chamou-me a atenção principalmente os asiáticos. Mais precisamente as belas asiáticas, com suas indescritíveis vestimentas leves, soltas, coloridas e esvoaçantes, pra não falar dos turbantes (se é que posso chamá-los disso) e seus perfumes inebriantes. Ah, as asiáticas!!! Acho que daqui eu vou direto pra Bangkok, Saigon ou Calcutá! Quando já ia embora pro hotel, entrei na Westminster Abbey, Just to give, for Aunt Lili, a single pray (na Abadia de Westminster apenas pra rezar pra Tia Lili) Fui pro Underground reparando mais detalhadamente cada centímetro quadrado do chão que eu pisava e das paredes e fachadas que eu olhava, e comigo mesmo cada vez mais eu pensava: como reconheço, como me é familiar, como eu sinto e vivo tudo isso! Como toda essa cidade ressoa e vibra dentro de mim! Pois é, estou aqui, entre outras coisas, pra confirmar uma antiga e recorrente suspeita que me persegue a vida toda (essa no Brasil): com toda a certeza já vivi nessa cidade há algumas décadas, ou séculos, atrás! Now I need to go. I´m going to my next destination: the Hyde Park.

Afternoon: Fazia um friozinho. Muito doido o tempo aqui: calor de manhã e frio a tarde (até parece BH). Peguei uma blusa. Segui a pé uns 5 minutos pro sul. Cheguei no Hyde Park. Ah, o Hyde Park!!! O Hyde Park é um desses lugares no mundo que são meio intraduzíveis, difíceis de se descrever, em palavras. Fotos e vídeos talvez digam alguma coisa. Mas, pra conhecer e sentir de verdade esse santuário florestal ecológico, só mesmo ao vivo, em carne, ossos, músculos, nervos, sangue, espírito e alma. Só dá pra falar que os carvalhos, os ciprestes, a relva, os jardins, os lagos, os cisnes, os corvos, os pombos, os patos, os quiosques, os coretos, as praças, as alamedas e as pessoas tomando sol nos gramados, principalmente as mulheres de biquíni, são todos maravilhosos. No meio do parque, fui abordado por uma jovem senhora de origem africana, cerca de 30 anos, asking me If I believe in religion and faith (me perguntando se eu acreditava em religião e fé). Respondi que sim, mas como já sabia, literalmente, qual era a dela, completei falando que eu não acreditava em religiões exteriores, abrigadas em paredes de pedra ou escritas em calhamaços de papel, mas, sim, nas religiões interiores, aquelas que estão inerentemente instaladas nas nossas cabeças e nos nossos corações. E, claro, como a pergunta foi feita em perfeito inglês, também respondi perfeitamente in english. Alíás, estou falando com as pessoas na rua, in english, of course, muito mais e melhor do que eu esperava. Achei que eu ia ter problemas com o sotaque britânico. Que nada! Todo mundo aqui fala é inglês americano, hollywoodiano mesmo, inclusive os próprios ingleses! Esta é outra faceta importante da minha familiaridade com essa cidade: até na comunicação pessoal estou me saindo bem. Estou aqui há exatamente um dia, apenas 24 horas, e estou me sentido mais à vontade do que no Rio de Janeiro, onde morei por quase dez anos (e olha que no Rio eu já me sentia bastante em casa). O perigo disso é acontecer aquilo que costuma me acontecer em qualquer lugar do mundo: as pessoas me pedirem informação na rua. Não sei porque isso acontece sempre, acho que eu tenho cara de “informante” ou aparento alta credibilidade e confiabilidade (coitados, não sabem com quem estão falando!) No Rio era só eu sair na rua e lá vinha alguém em minha direção, pra perguntar alguma coisa (e o pior é que eu sempre sabia!) Em BH, nem se fala! Aqui, mais dia, menos dia, tenho certeza que isso vai acontecer. Só espero continuar tendo sorte, e que seja nos últimos dias, quando eu já estiver (re)conhecendo mais a cidade.

terça-feira, 5 de abril de 2011

No trace on the space’s race

ace rhyme serie

No trace on the space’s race

The intrepid aviation’s ace
when in braces
with the disgrace
quickly embraces,
face-to-face,
the Mary of the Graces,
just to avoid a big headache.

Because he knows that the rope of the gibbet’s lace
can be a mortal menace
disguised as a necklace.
(otherwise, he slept hanged by a rope without hope!
without any hope to wake up!)

Due this, now he follows pace-by-pace
the race
across the space,
carefully, to don’t let trace.

Nenhum traço na corrida espacial

O intrépido ás da aviação
quando de braços
com a desgraça
rapidamente
abraça,
face-a-face,
a Maria das Graças,
só para evitar uma grande dor de cabeça.

Porque ele sabe que o laço da corda da forca
pode ser um perigo mortal
disfarçado de colar de jóias.
(aliás, ele dormiu pendurado numa corda sem esperança!
sem qualquer esperança de acordar!)

Por isso, agora ele segue passo-a-passo
a corrida
através do espaço,
cuidadosamente, para não deixar traço.

domingo, 20 de março de 2011

Take an aspirin before to begin to eat bean

ean, een & in rhyme serie

Take an aspirin before to begin to eat bean

It’s strongly recommendable to take an aspirin
before to begin
to eat bean.

be in

How long there have you ever been?
Had been enough to let me in?

cabin and canteen

As well as the cabin,
the canteen
must stay always clean.

gain a din

A din,
echoing from the fountain,
my poor ears gain.

my favorite heroine

Alone, crossing fields evergreen,
my favorite heroine
rides wearing just a single jeans.

the napkin

He was so keen
and lean
that I mean
he was a napkin.

paraffin´s pins

The origins
of the paraffin’s
pins
are carefully laid in the core of the pumpkins.

queens in ruins

Whenever the queens
don’t succeed to domain
their reign’s rein
its falls in ruins.

teens´s sins

The sins
couldn’t be seen
In the behavior of the teens
because they were so thin
that became unseens.

villains and violins

Now I’m here, in the end again,
trying to understand in vain
why, at last, instead of the guitars and the violins,
the same old villains
always wins.


Tome uma aspirina antes de começar a comer feijão

É bastante recomendável tomar uma aspirina
antes de começar
a comer feijão.

por dentro

Por quanto tempo você esteve lá?
Foi o suficiente para me deixar entrar?

cabine e cantina

Tão bem como a cabine,
a cantina
precisa ficar sempre limpa.

fazendo barulho

Um alto barulho,
ecoando da fonte,
ganhou meus pobres ouvidos.

minha heroína favorita

Solitária, cruzando campos sempre verdes,
minha heroína favorita
cavalga vestindo apenas um simples jeans.

o guardanapo

Êle era tão magro
e esguio
que eu pensei
que êle era um guardanapo.

pinos de parafina

As origens
dos pinos
de parafina
estão cuidadosamente depositadas nos miolos dos melões.

rainhas em ruínas

Toda vez que as rainhas
não conseguem domar
as rédeas dos seus reinos
eles caem em ruínas.

pecados de adolescentes

Os pecados
não podiam ser vistos
no comportamento dos adolescentes
porque eles eram tão finos
que tornaram-se invisíveis.

vilões e violões

Agora aqui estou eu, novamente no fim,
tentando entender em vão
porque, afinal, ao invés dos violinos e violões,
os mesmos velhos vilões
sempre vencem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

She had just begun to have some fun

an & un rhyme series

She had just begun to have some fun

Like a skillful artisan,
she had just began
to do the best she can
to have some fun,
when a hot gun
handle by a crazy inhuman
– with a loud moan
without noun –,
made her run
straight to the sun.
And flying over the ocean,
like a, more tan
than
black, swan,
she went away on the van
trying in vain,
with her broken webcam,
to record her plan
which just mean
to give herself in loan
to all the nation’s men.
But, in the end,
a single touch in her own
sexual organ
took her to understand
she was just an
one woman.

Ela tinha apenas começado a se divertir

Como uma exímia artesã,
ela tinha apenas começado
a fazer o melhor que podia
para ter alguma alegria,
quando uma arma quente,
carregada por um louco demente
– com um alto grunhido
sem nome –,
a fez correr
direto para o sol.
E voando sobre o oceano,
como um cisne,
mais moreno
do que negro,
ela foi embora na van
tentando em vão,
com sua webcam quebrada,
registrar sua intenção
que apenas significava
se dar em doação
a todos os homens da nação.
Mas, no final,
um simples toque em seu próprio
órgão sexual,
foi o que a levou a entender
que ela era apenas uma
única mulher.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

The battle of the beetle in the castle

le rhyme serie

The battle of the beetle in the castle
or The beetle in the battle of the castle
or The battle in the castle of the beetle


I don’t know if I’ll be able
to tell the tale over this angle
(anyway, I’ll try):
This is the tale of the beetle
in the great battle
to conquer the castle
(or anyone of the two other options of title):
In spite of the unitary price of the war-cattle
had been unilaterally risen to the double,
the sharply watching eyes of the fiscal eagle,
that one of the so famous cash’s fable,
were suspiciously very quiet and gentle.
But, this, just because she got to neutralize and to handle
the most slow and idle
hidden in the middle of the jungle.
Then, she put her machine-gun-kettle
to load and to kindle,
but, just a little.
However, he, such a beetle, knows very well that in the middle
of all that insane muddle,
on trouble war’s waters, neither a gold needle
could signify some noble
and untransposeable obstacle
to the silver paddles
of the good people,
those one who would sail on up river, well worn in purple.
Knows, also, that the fortress quadrangle
wall’s quibble,
if it could too be built, or not, in the shape of rectangle,
hadn’t been so reasonable,
hadn’t enough fire power to avoid the rifle’s
scramble.
And that, even over a suitable
and flat armistice’s negotiation table,
many tactical, ballistic, strategic and operational troubles
were awaiting for the white cuirassed turtle,
like an unbelievable,
uncomfortable,
and not understandable
new kind of battle.
In The End, the brave former army fighters Beatles’s uncles
became obviously more respectful and valuables
than the simple, mortal and mutilated vegetables,
that day ahead, carried only by two-parallel-wheel vehicles.
And, then, a long and loud truce’s whistle
echoed across the universe’s wrinkles
proclaiming that the now soldier’s cemeteries convertible
from the former fields of battle
never more could be xeroxable or yardable,
the more it might seem zestable.
Concluding, as well as the virtue uses to walk on the way of the middle,
the beetle won the battle and got the castle.


A batalha do besouro no castelo
ou O besouro na batalha do castelo
ou A batalha no castelo do besouro


Eu não sei se serei capaz
de contar a estória vista deste angulo
(de qualquer maneira, vou tentar):
Esta é a estória do besouro
na grande batalha
para conquistar o castelo
(ou qualquer uma das duas outras opções de título):
Apesar de o preço unitário do gado-de-guerra
ter sido unilateralmente elevado para o dobro,
os olhos atentos e vigilantes da águia fiscal
– aquela da tão famosa fábula do dinheiro –,
estavam suspeitamente muito tranqüilos e gentis.
Mas, isso, só porque ela conseguira neutralizar e dominar
os mais lentos e preguiçosos
escondidos no meio da floresta.
Então, ela pôs a sua chaleira metralhadora
para carregar e esquentar,
mas, apenas um pouco.
Porém, êle, o tal besouro, sabia muito bem que no meio
daquela insana confusão –
em turbulentas águas de guerra – nem uma agulha de ouro
poderia significar algum nobre
e intransponível obstáculo
para os remos de prata
das pessoas de bem
– aquelas que navegariam rio acima, bem vestidas de púrpura.
Sabia, também, que a discussão inútil e sem importância
a respeito das muralhas quadradas da fortaleza
– se elas poderiam, ou não, ser construídas de forma retangular –,
não tinha sido assim tão razoável,
não tinha poder de fogo suficiente para evitar a escalada dos rifles.
E que, mesmo sobre uma mesa bem plana
e apropriada para as negociações do armistício,
muitos problemas táticos, balísticos, estratégicos e operacionais
estavam esperando pela tartaruga branca encouraçada,
como um desconfortável,
incompreensível
e inacreditável
novo tipo de batalha.
No final, os valentes ex-combatentes tios dos Beatles
tornaram-se obviamente mais respeitados e valorizados
do que os simples, mortais e mutilados vegetais,
daí adiante transportados somente por veículos de duas rodas paralelas.
E, então, um longo a alto assobio de trégua
ecoou através das dobras do universo
proclamando que campos de batalha transformados em cemitérios de soldados nunca mais poderiam ser copiados ou ajardinados,
por mais que isso pudesse parecer excitante e arrepiante.
Concluindo, assim como a virtude costuma trilhar o caminho do meio,
o besouro venceu a batalha e ganhou o castelo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Em trânsito em casa - pequena crônica de uma passagem

Em trânsito em casa – pequena crônica de uma passagem

Como se estivesse num aeroporto, numa rodoviária ou numa estrada qualquer, viajando de um lugar para outro – que era exatamente o que eu estava fazendo naqueles dias –, inesperada e inusitadamente eu era um ser estranho, um estrangeiro, um passageiro, um ser de passagem, na minha própria cidade, ou pior ainda, na minha própria casa!
Estava em Salvador, na Bahia, para, mais uma vez, mais uma consecutiva vez, passar o Natal e o Ano Novo lá, com minha família daqui junto com o pessoal de lá, quando, de repente, dois dias depois que chegara, tive que voltar a Beagá – na verdade já tinha ido prevendo e pressentindo que, brevemente, teria que voltar; por um dia apenas que fosse, mas teria que voltar.
Pretendia retornar para Salvador no mesmo dia, mas, por ineficiência, incompetência, descaso, overbooking, indecência ou inapetência da doravante inominável e não recomendável empresa aérea, meu vôo fora simplesmente cancelado e adiado para o dia seguinte.
Tive que permanecer e pernoitar em Beagá, cidade que de repente se tornara totalmente estranha para mim, porque, quando as comissárias de terra (ou será “em terra”?) perguntaram quem tinha casa para onde voltar, eu me dei conta de que não tinha mais casa para ficar lá – pois minha atual casa localiza-se, concreta, física e espiritualmente, nas redondezas da cidade vizinha, Pedro Leopoldo, e não mais em Beagá.
Como não tinha casa lá, fui acomodado – felizmente, por sinal – num dos melhores hotéis da cidade, num ótimo apartamento no 16o andar, com bela e privilegiada vista da região. E não é que o Janelão da suíte fica exatamente de frente para o bairro onde comprei meu primeiro ap, onde morei por quase vinte anos e onde minhas filhas nasceram e cresceram?!
Porém, naquele momento, naquela única noite, esta visão panorâmica se apresentava totalmente estranha e desconhecida: ao abrir as cortinas, o que se descortinava era o tal lugar, o tal bairro, mas eu não o reconhecia de forma alguma. Tentei localizar e identificar as ruas, os prédios, as fachadas, tudo em vão. Não que a morfologia da Cidade Nova tivesse mudado tanto assim em dez anos. Uma mínima sensação de pertencer ao lugar, de ser do lugar, era o que me faltava, estava ausente, fora anulada, deletada. Se eu estivesse no alto de um prédio em Ipanema ou no Leblon, talvez a vista fosse mais familiar, mais domiciliar, e o reconhecimento seria naturalmente mais fácil.
Entretanto, neste meio-tempo ou, melhor dizendo, meio-espaço – entre a cidade estrangeira, o bairro irreconhecível e o hotel desconhecido –, a caminho do aeroporto para a pretendida viagem de retorno, fui parar, só para passar a tarde e esperar a hora do vôo à noite, num certo sítio, uma propriedade meio-rural, nas cercanias de Lagoa Santa, onde alguns dos meus irmãos e irmãs têm casas, inclusive eu!
Assim, sem mais nem menos, apenas com uma mochila nas costas, me vi desembarcando naquele sítio, muitíssimo conhecido e, literalmente, familiar, defronte a uma casa totalmente fechada que, por mais que eu a conhecesse e habitasse, por mais que ela me acomodasse e aconchegasse, se apresentava absolutamente estranha, alheia, fria, gelada – eu não estava nem com as chaves, tive que pegar as reservas no vizinho.
Entrei na casa, coloquei a mochila sobre o sofá da sala, mas, não ousei abri-la, muito menos as portas e as janelas. Não era minha aquela casa. Aquele lugar não era meu. Eu era um estranho, um estrangeiro, ali dentro. Eu só queria que a noite chegasse bem rápido, para poder ir embora depressa, embora para a outra cidade. Afinal, era lá, na outra cidade, que as minhas duas filhas e os meus dois genros (o real e o pretenso) estavam – até a minha ex-mulher estava lá – e, portanto, lá é que era a minha casa, o meu lar! – pelo menos naqueles dias.
Com certeza, este foi um dos dias mais estranhos da minha vida, se não o mais esquisito até então.
Todavia, estar em vias de passagem, em trânsito, na própria cidade, no próprio bairro e na própria casa, significou para mim, mais uma vez, algo como um forte, contundente e emblemático sinal da real transitoriedade, fugacidade, temporalidade e, até, fragilidade de tudo nesta vida, e mesmo da própria vida! Pois que tudo isso me aconteceu nos dias da passagem, da transição, e do enterro do meu próprio pai – que renasceu no mesmo dia em que Jesus Cristo nasceu, o que é uma graça, uma benção, um privilégio, que poucos fazem por merecer e alcançam.
que Ele, daquela feita, veio para o lado de cá, para os níveis de vida inferiores, para se reencontrar com todos nós; enquanto que ele, meu pai, desta vez, foi para o lado de lá, para os níveis de vida superiores, justamente para se reencontrar com Ele.
.
Homenagem a Amancio Corrêa Filho (03 Set 1916 / 25 Dez 2010)