quarta-feira, 26 de março de 2014

31/03/14


31/03/14

Não há nada a comemorar, é somente para lembrar,
para nossos mútuos pêsames, nosso íntimo pesar.
E nem mesmo lembrar para que não se repita,
nem ao menos para que se pense, se reflita,
porque não há necessidade de se repensar, não tem jeito,
algo que há muito está irremediável e desgraçadamente feito!
Trinta e Um de Março de Mil, Novecentos e Sessenta e Quatro.
Enganador, maquiavélico, de fantoches e marionetes, teatro!
São os cinqüenta anos, o cinqüentenário,
do nosso infame e permanente calvário!
Um dos dias mais tristes e vergonhosos,
desdenhosos, escabrosos e calamitosos,
da História do Brasil e do Mundo!
Dia trágico, sujo, falso, imundo.
O dia em que o Brasil perdeu a grande chance de realmente
começar a ser uma país livre, forte, soberano e independente,
para, mais uma vez, se tornar uma simples colônia periférica
de outro grande império do norte, agora da própria América!
Triste e desgraçada sina colonial,
selada por impérios do norte glacial:
começou com o velho império central,
ameaçou pender pra um império oriental
e acabou se dando a um império ocidental.
E bem que o Brasil poderia ter sido, nada mal,
um neutro, belo, alegre e festivo império tropical.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Primeira Lei da Termodinâmica


Primeira Lei da Termodinâmica ou Princípio de Conservação da Energia

Uma colônia de amebas, um formigueiro, uma colméia, uma planta, uma árvore, o corpo humano ou o de qualquer ser vivo (e mesmo morto), um carro, um avião, uma cidade, um país, uma usina nuclear, o nosso cérebro ou qualquer outro animal, planetas e estrelas, uma galáxia, o próprio universo (ou multiversos), tudo, absolutamente tudo, funciona segundo a Primeira Lei da Termodinâmica – que, doravante, chamaremos apenas de PLT (favor não confundir com CLT, que é outra coisa completamente diferente).
A PLT foi descoberta e desenvolvida – porque as leis fundamentais da Física, da Química e da Matemática não são criadas nem inventadas por ninguém, pois já estão na natureza e no universo desde o princípio dos tempos; são, sim, simplesmente descobertas e desenvolvidas – pelo cientista francês Sadi Carnot (1824). Na verdade, muitos cientistas, até mesmo gregos de 100 anos AC, pesquisaram e estudaram a termodinâmica, mas, o primeiro que esboçou os princípios físicos e matemáticos da PLT, foi esse francês.
A forma ou expressão mais simples para explicar e entender a PLT é a seguinte: [E=T-C] Em qualquer sistema dinâmico, aberto ou fechado, a Energia(E) absorvida é igual ao Trabalho(T) realizado menos o Calor(C) liberado. Pois, para que qualquer trabalho seja realizado é necessário que haja um certo dispêndio de energia e, de quebra, ainda há liberação de calor, ainda que mínimo. É desnecessário dizer (mas eu digo assim mesmo) que todo trabalho que se preze produz alguma coisa.
E praticamente tudo no nosso universo pode ser entendido como sendo um sistema dinâmico, animal, vegetal, mineral, mecânico, elétrico, eletrônico, etc – exceção, talvez, apenas para uma simples pedra (ainda assim, segundo a Física Quântica, nos níveis subatômicos até mesmo as pedras são sistemas dinâmicos).
Porém, a energia absorvida nunca é totalmente transformada em trabalho útil, e sempre há uma parcela, mínima que seja, que é transformada em calor, útil ou não. Não há máquina, organismo ou processo, por mais perfeito e “ideal” que seja, que consiga transformar toda a energia que consome em trabalho útil, e sempre há perdas, sob a forma da própria energia ou de calor – lembrando que o calor também é uma forma de energia.
Seu carro, por exemplo, transforma em trabalho útil (movimento) apenas 30% da energia gerada pela queima do combustível, o resto, 70%, é transformado em calor desnecessário, que é despejado no meio ambiente – na verdade, mais cedo ou mais tarde, esse calor “inútil” um dia voltará a realizar algum tipo de “trabalho” no meio ambiente onde foi descartado (o derretimento de uma geleira no Ártico pode ser um exemplo típico disso), reequilibrando, assim, o balanço de energia do sistema maior, no caso, o próprio planeta.
Portanto, o balanço final de energia de qualquer sistema dinâmico é sempre igual ou maior que zero, e nunca menor. É zero quando a energia, o trabalho e o calor gerados permanecem dentro do próprio sistema, e é maior que zero quando parte disso, ou tudo, é liberado ou transmitido para outros sistemas menores ou maiores – até, eventualmente, chegar ao sistema final: o próprio universo.
A PLT tem tudo a ver com outra lei famosa, uma sua irmã mais velha, similar e complementar, aquela de outro francês, o Antoine Lavoisier (~1780): “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” – mas isso já é uma outra história. Por isso, é importante ressaltar também que, segundo a PLT, a Energia ou os Teragigaquatrilhões de Megakilowatts, que havia no primeiro micromilisegundo após a ocorrência do Big-Bang é exatamente igual ao somatório de todo o calor ou energia, cinética ou potencial, que há, agora mesmo, em todo o universo.
Assim, tudo, desde os aglomerados de vírus e bactérias até as galáxias e o universo inteiro, passando pelas complexas sociedades humanas e até mesmo as comunidades espirituais localizadas em torno do orbe terrestre - aliás, eles, os espíritos, mais do que ninguém, pois trabalham diretamente com energia pura –, funciona de acordo com a PLT.
A PLT é tão importante que há séculos é referenciada, citada e “aplicada” – mesmo que as pessoas não saibam disso – em áreas do conhecimento humano bastante distintos da matemática, da física e da química, como, por exemplo, na medicina (funcionamento dos órgãos do corpo humano), na economia (comportamento dos mercados de bens e de capitais) ou na psiquiatria (princípios básicos da loucura: absorção e interiorização do conhecimento (energia), compreensão, discussão e tratamento do conhecimento (trabalho), e comunicação e exteriorização do conhecimento (calor) – aliás, é exatamente isso que eu estou tentando fazer agora, digitando essas 967 palavras).
Se Deus realmente existe e se foi Ele mesmo quem criou o universo, com certeza Ele utilizou as Leis da Física para poder fazer isso. Se foi assim, também podem estar certos de que a Primeira Lei que Ele teve que obedecer foi a PLT. Sim, porque pra sair por aí criando coisas a torto e a direito, e ser um criador ecologicamente correto, Ele necessariamente tinha que saber que tudo que Ele criasse consumiria energia, produziria trabalho e geraria calor, muitas vezes como subproduto totalmente desnecessário.
A Segunda Lei da Termodinâmica, a SLT (novamente, favor não confundir com CLT), também é muito importante e particularmente interessante para mim – sujeito apocalíptico confesso – devido ao que ela estabelece com relação à entropia dos sistemas fechados ou sua tendência natural à desordem, à degradação e ao caos generalizado. Mas isso fica para outra oportunidade – se o universo não entrar, brevemente, nesse caos irreversível em direção ao colapso final (o Big-Crunch).
Por último, vale notar que, em última instancia, enquanto a PLT diz como as coisas se criam e se desenvolvem, a SLT diz como elas começam, imediatamente depois, a se degenerar e se destruir. É como dizia o Vinicius de Morais: “a gente mal nasce e já começa a morrer”.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Política?!

Política?!

Abomino, desclassifico e rejeito totalmente esse Comunismo Fascista e esse Socialismo Assistencialista que minam por aí.
Mas também não gosto nem um pouco, sofro enjôos, desse Capitalismo Selvagem e desse Democracismo Miragem que dominam por aqui.
(na verdade, hoje, capitalistas e os comunistas são todos, no fundo, arrivistas, e, como dizem os populistas, farinha do mesmo saco, farrapos da mesma sanha)
Se esse Anarquismo Bêbado das Ruas não estivesse tão cambaleante e titubeante, tão contaminado e blockblocado por idéias bloqueadas, ultrapassadas, eu seria, como já pretendi ser, anarquista.
Militarismos, Repúblicas Sacras, Impérios Laicos, Caudilhismos, Reinos, Monarquias, Elitismos... nem pensar! – melhor, muito melhor, ser governado por Budistas, Taoístas ou Xintoístas.
Fundamentalistas de qualquer latitude ou longitude estão longe de qualquer fundamento – pela simples falta de atitude um pouco mais bem fundamentada.
Sem mais à vista, prefiro continuar Niilista. Um Niilista positivista, pacifista, mais ou menos espiritualista, quase pleno ativista.
(talvez nem mesmo niilista, melhor não estar em nenhuma lista!)
Porém, se sim, de um Niilismo realmente sem ilusionismo, mais sóbrio, discreto, tranqüilo, sonâmbulo e lúdico – sem cinismos, nem cretinismos.
Até que coisa melhor apareça. Algo que nos mereça, que nos apeteça, algo novo que nos faça jus, que nos rejuvenesça.
Já estamos velhos de tudo isso, saturados de tantos ismos, cansados de todos istas! (mas dá vontade mesmo é de resgatar e praticar o que preconizava uma das minhas palavras-de-ordem favoritas dos anos 1960, quando eu era um estudante pouco encrenqueiro e muito arruaceiro: hay gobierno? soy contra!)

segunda-feira, 10 de março de 2014

A View From My Window


A view from my window

It is a light, soft, ineffable, unsustainable and misty white sea of sweet water, in pure fizzy status, which once a while uses to download here on my shore – view from my window, today at 7 am (at last, the winter is coming!)

Vista da minha janela

É um leve, suave, inefável, insustentável e nebuloso mar branco de água doce, em puro estado gasoso, que de vez em quando costuma baixar aqui na minha praia – visto da minha janela, hoje às 7h da manhã (enfim, o inverno tá chegando!)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Vestindo Aquarianas


Vestindo Aquarianas

Preparando meu filé goiano pré-fatiado, com queijo mineiro ralado, ao vinho chileno bem engarrafado e salada tailandesa empacotada, por volta da hora do chá da Rainha, 3 às 5 da tarde, eu costumo ligar a TV da minha cozinha, que só pega TVs abertas, e, enquanto o vapor de gordura do azeite sobe e o vinho pela garganta desce e se acerta, gosto muito de ficar vendo e saboreando o Sem Censura da Leda Nagle na TV Brasil que, cá pra nós, é sempre bem melhor do que qualquer outro programa das outras TVs abertas, nesse horário. Pelo menos, é bem mais saudável, palatável e de fácil digestão.
E ontem, 26/02/2014 – mas nem importa se foi ontem ou hoje, porque foi programa reapresentado, elaborado e cozinhado num dia qualquer do ano passado –, ela, a Leda, e suas convidadas (pois só tinha mulher), estavam discutindo algo que eu só consigo classificar ou nomear como: A Astrologia Aplicada às Roupas das Mulheres Conforme os Seus Signos.
Moda e Astrologia: não consigo pensar em outros assuntos tão estranhos para mim quanto estes dois. Tão eqüidistantes de mim quanto os Pólos terrestres estão do Equador, quanto Mercúrio está de Netuno, quanto o Sol está do centro da galáxia.
Se ao menos fosse Mundo e Astronomia, ao invés de Moda e Astrologia, talvez eu me sentisse um pouco mais confortável e feliz, flutuando num astral mais elevado, como que vestindo uma camiseta larga e rasgada, uma velha bermuda furada, uma havaiana pra lá de achinelada, e degustando o divino lácteo néctar diretamente na fonte: a própria via por onde transitam as constelações do zodíaco.
Mas, ainda assim a experiência à moda “gastrológica” foi muito interessante e, repito, sinceramente, foi um assunto muito melhor, mais proveitoso e mais produtivo do que qualquer filmezinho ou novelinha da Globo (pelo menos fiquei sabendo que cada signo exige uma roupa especial, assim como da sua recíproca, que também é verdadeira: cada roupa se adéqua a um signo especial, e vice-versa) ou uma daquelas reportagens sanguinolentas dos outros canais. Sanguinolento bastava o bife que eu estava passando na frigideira.
E lá estavam elas falando, signo por signo, constelação por constelação (outra vantagem: revisitei meus conhecimentos astronômicos, visto que as constelações astrológicas são algumas das principais constelações astronômicas que nos rodeiam) qual era a roupa ou vestuário melhor para cada mulher de acordo com os signos astrológicos, em detalhes tais como: mangas, decotes, barras de saia, vestidos justos ou folgados, terninhos, batas ou bermudas, suas cores e matizes, vincos, babados e penduricalhos, e artigos dessa linha – interessante é que elas não distinguiam as estações do ano, se era pro frio ou pro calor, ou então era só pro verão mesmo, estação predominante em 11,8 dos nossos 12 meses.
E elas foram falando de: libra, gêmeos, touro, intervalo comercial (na verdade, institucional, por se tratar de TV estatal), peixes, escorpião, sagitário, outro intervalo, capricórnio, leão, virgem ... e eu, já comendo os bifes, fiquei pensando lá comigo: Porra, meu, elas não vão falar de aquário, ou já falaram e eu não vi?!
É, porque aquário é assim: ou não falam ou deixam sempre por último. Não deu outra, ficou pro final. Quando a Leda, no último bloco, perguntou sobre aquário, a astróloga-porta-voz respondeu (achei muito engraçado): “ah... é porque aquário é assim: um aquariano nunca se parece com outro aquariano, um aquariano é sempre diferente de outro aquariano, e eles pensam sempre muito diferente de todo mundo, e muito na frente de todo mundo, e é muito difícil estabelecer padrões de vestuários para elas” (e ela ressaltou que isso valia tanto para elas quanto para eles).
A partir daí, todas as astrólogas-estilistas se enrolaram pra valer citando exemplos do irmão da amiga, da namorada do primo, da colega de faculdade, todos aquarianos, claro, que haviam feito consultas – ou melhor, inventado moda, como elas disseram – a respeito do que vestir. Pois nada, absolutamente nada, das meias aos chapéus passando por cintos e lenços, era objeto capaz de estabelecer um padrão mínimo aceitável que distinguisse as aquarianas, nem mesmo, ou muito menos, suas cores prediletas. Elas concluíram dizendo que as aquarianas não seguem moda, que as aquarianas ditam moda. Mas não a moda para agora, para o presente, e sim a moda adiante, para anos à frente.
O Sem Censura de ontem acabou assim, com uma grande incógnita: Como vestir as aquarianas? E eu já estava no último naco de bife, nas ervilhas finais, no derradeiro gole de vinho, quanto me flagrei aplicando a mim mesmo a eterna pergunta recorrente que, nestes casos, insiste e resiste em minha mente:
E o que é que eu tenho a ver com isso?!
Fora o fato de eu ser aquariano e gostar de Astronomia que é meia-irmã da Astrologia, e viver muito mais no mundo da Lua do que no mundo em moda, nada!!! Absolutamente nada!!!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Adão e Eva existiram mesmo!


Adão e Eva existiram mesmo!

Bem que poderia ter sido verdade essa notícia de que a Igreja Católica havia, enfim, reconhecido que Adão e Eva jamais existiram, o que é a pura verdade. Porém, felizmente para muitos bilhões, mas infelizmente para outros tantos milhões, o nosso famoso casal ancestral, o par primordial, aquele do “pecado original”, existiu de fato, é verdade, foi real.
Confesso que cheguei a ficar até bem esperançoso, em júbilo, entusiasmado mesmo, pensando cá comigo: que bom que eles estão tomando juízo afinal (mas, não Juízo Final!), pois, depois de tardiamente livrarem Galileu Galilei das fogueiras da Inquisição, reconhecendo que ele estava certo ao contestar os excêntricos dogmas geocêntricos da igreja, agora, enfim, indicam que poderão vir a reconhecer a verdadeira gênesis da nossa história e de todos os seres vivos: criação natural, seleção natural e evolução natural, naturalmente.
Mas, ainda tenho fé que, cedo ou tarde (na verdade “tarde”, porque “cedo” já era), eles finalmente irão decretar que essa estória esquisita e maluca de que “o primeiro homem foi feito de um monte de barro, através do sopro divino, e que a primeira mulher foi feita a partir de uma costela (coitadas das mulheres, tratadas como subproduto desde a ‘criação’!) desse mesmo homem”, é tão verídica e séria quanto às estórias de Papai Noel, do Saci-Pererê ou da Mula-sem-cabeça.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Nin de Passarin


Nin de Passarin

Os passarin tão fazendo nin
com gravetin e ramin de capim,
bem pertin da antena dos urubus,
dos urubus antenados.
Ninho feito em calha de água de chuva.
Ninho que não calha bem.
Bem que calhou foi a chuva fina que caiu.
Ninho que na primeira chuva grossa se vai.
Bem como eu, que no último sol de hoje, embora vou.
Bye bye Bahia.