ace rhyme serie
No trace on the space’s race
The intrepid aviation’s ace
when in braces
with the disgrace
quickly embraces,
face-to-face,
the Mary of the Graces,
just to avoid a big headache.
Because he knows that the rope of the gibbet’s lace
can be a mortal menace
disguised as a necklace.
(otherwise, he slept hanged by a rope without hope!
without any hope to wake up!)
Due this, now he follows pace-by-pace
the race
across the space,
carefully, to don’t let trace.
Nenhum traço na corrida espacial
O intrépido ás da aviação
quando de braços
com a desgraça
rapidamente
abraça,
face-a-face,
a Maria das Graças,
só para evitar uma grande dor de cabeça.
Porque ele sabe que o laço da corda da forca
pode ser um perigo mortal
disfarçado de colar de jóias.
(aliás, ele dormiu pendurado numa corda sem esperança!
sem qualquer esperança de acordar!)
Por isso, agora ele segue passo-a-passo
a corrida
através do espaço,
cuidadosamente, para não deixar traço.
Alguém irremediavelmente viciado em escritas e estrelas, projetando palavras interiores em espaços exteriores.
terça-feira, 5 de abril de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Take an aspirin before to begin to eat bean
ean, een & in rhyme serie
Take an aspirin before to begin to eat bean
It’s strongly recommendable to take an aspirin
before to begin
to eat bean.
be in
How long there have you ever been?
Had been enough to let me in?
cabin and canteen
As well as the cabin,
the canteen
must stay always clean.
gain a din
A din,
echoing from the fountain,
my poor ears gain.
my favorite heroine
Alone, crossing fields evergreen,
my favorite heroine
rides wearing just a single jeans.
the napkin
He was so keen
and lean
that I mean
he was a napkin.
paraffin´s pins
The origins
of the paraffin’s
pins
are carefully laid in the core of the pumpkins.
queens in ruins
Whenever the queens
don’t succeed to domain
their reign’s rein
its falls in ruins.
teens´s sins
The sins
couldn’t be seen
In the behavior of the teens
because they were so thin
that became unseens.
villains and violins
Now I’m here, in the end again,
trying to understand in vain
why, at last, instead of the guitars and the violins,
the same old villains
always wins.
Tome uma aspirina antes de começar a comer feijão
É bastante recomendável tomar uma aspirina
antes de começar
a comer feijão.
por dentro
Por quanto tempo você esteve lá?
Foi o suficiente para me deixar entrar?
cabine e cantina
Tão bem como a cabine,
a cantina
precisa ficar sempre limpa.
fazendo barulho
Um alto barulho,
ecoando da fonte,
ganhou meus pobres ouvidos.
minha heroína favorita
Solitária, cruzando campos sempre verdes,
minha heroína favorita
cavalga vestindo apenas um simples jeans.
o guardanapo
Êle era tão magro
e esguio
que eu pensei
que êle era um guardanapo.
pinos de parafina
As origens
dos pinos
de parafina
estão cuidadosamente depositadas nos miolos dos melões.
rainhas em ruínas
Toda vez que as rainhas
não conseguem domar
as rédeas dos seus reinos
eles caem em ruínas.
pecados de adolescentes
Os pecados
não podiam ser vistos
no comportamento dos adolescentes
porque eles eram tão finos
que tornaram-se invisíveis.
vilões e violões
Agora aqui estou eu, novamente no fim,
tentando entender em vão
porque, afinal, ao invés dos violinos e violões,
os mesmos velhos vilões
sempre vencem.
Take an aspirin before to begin to eat bean
It’s strongly recommendable to take an aspirin
before to begin
to eat bean.
be in
How long there have you ever been?
Had been enough to let me in?
cabin and canteen
As well as the cabin,
the canteen
must stay always clean.
gain a din
A din,
echoing from the fountain,
my poor ears gain.
my favorite heroine
Alone, crossing fields evergreen,
my favorite heroine
rides wearing just a single jeans.
the napkin
He was so keen
and lean
that I mean
he was a napkin.
paraffin´s pins
The origins
of the paraffin’s
pins
are carefully laid in the core of the pumpkins.
queens in ruins
Whenever the queens
don’t succeed to domain
their reign’s rein
its falls in ruins.
teens´s sins
The sins
couldn’t be seen
In the behavior of the teens
because they were so thin
that became unseens.
villains and violins
Now I’m here, in the end again,
trying to understand in vain
why, at last, instead of the guitars and the violins,
the same old villains
always wins.
Tome uma aspirina antes de começar a comer feijão
É bastante recomendável tomar uma aspirina
antes de começar
a comer feijão.
por dentro
Por quanto tempo você esteve lá?
Foi o suficiente para me deixar entrar?
cabine e cantina
Tão bem como a cabine,
a cantina
precisa ficar sempre limpa.
fazendo barulho
Um alto barulho,
ecoando da fonte,
ganhou meus pobres ouvidos.
minha heroína favorita
Solitária, cruzando campos sempre verdes,
minha heroína favorita
cavalga vestindo apenas um simples jeans.
o guardanapo
Êle era tão magro
e esguio
que eu pensei
que êle era um guardanapo.
pinos de parafina
As origens
dos pinos
de parafina
estão cuidadosamente depositadas nos miolos dos melões.
rainhas em ruínas
Toda vez que as rainhas
não conseguem domar
as rédeas dos seus reinos
eles caem em ruínas.
pecados de adolescentes
Os pecados
não podiam ser vistos
no comportamento dos adolescentes
porque eles eram tão finos
que tornaram-se invisíveis.
vilões e violões
Agora aqui estou eu, novamente no fim,
tentando entender em vão
porque, afinal, ao invés dos violinos e violões,
os mesmos velhos vilões
sempre vencem.
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Rhyme Series / Serie Rimas
quarta-feira, 2 de março de 2011
She had just begun to have some fun
an & un rhyme series
She had just begun to have some fun
Like a skillful artisan,
she had just began
to do the best she can
to have some fun,
when a hot gun
handle by a crazy inhuman
– with a loud moan
without noun –,
made her run
straight to the sun.
And flying over the ocean,
like a, more tan
than
black, swan,
she went away on the van
trying in vain,
with her broken webcam,
to record her plan
which just mean
to give herself in loan
to all the nation’s men.
But, in the end,
a single touch in her own
sexual organ
took her to understand
she was just an
one woman.
Ela tinha apenas começado a se divertir
Como uma exímia artesã,
ela tinha apenas começado
a fazer o melhor que podia
para ter alguma alegria,
quando uma arma quente,
carregada por um louco demente
– com um alto grunhido
sem nome –,
a fez correr
direto para o sol.
E voando sobre o oceano,
como um cisne,
mais moreno
do que negro,
ela foi embora na van
tentando em vão,
com sua webcam quebrada,
registrar sua intenção
que apenas significava
se dar em doação
a todos os homens da nação.
Mas, no final,
um simples toque em seu próprio
órgão sexual,
foi o que a levou a entender
que ela era apenas uma
única mulher.
She had just begun to have some fun
Like a skillful artisan,
she had just began
to do the best she can
to have some fun,
when a hot gun
handle by a crazy inhuman
– with a loud moan
without noun –,
made her run
straight to the sun.
And flying over the ocean,
like a, more tan
than
black, swan,
she went away on the van
trying in vain,
with her broken webcam,
to record her plan
which just mean
to give herself in loan
to all the nation’s men.
But, in the end,
a single touch in her own
sexual organ
took her to understand
she was just an
one woman.
Ela tinha apenas começado a se divertir
Como uma exímia artesã,
ela tinha apenas começado
a fazer o melhor que podia
para ter alguma alegria,
quando uma arma quente,
carregada por um louco demente
– com um alto grunhido
sem nome –,
a fez correr
direto para o sol.
E voando sobre o oceano,
como um cisne,
mais moreno
do que negro,
ela foi embora na van
tentando em vão,
com sua webcam quebrada,
registrar sua intenção
que apenas significava
se dar em doação
a todos os homens da nação.
Mas, no final,
um simples toque em seu próprio
órgão sexual,
foi o que a levou a entender
que ela era apenas uma
única mulher.
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Rhyme Series / Serie Rimas
sábado, 19 de fevereiro de 2011
The battle of the beetle in the castle
le rhyme serie
The battle of the beetle in the castle
or The beetle in the battle of the castle
or The battle in the castle of the beetle
I don’t know if I’ll be able
to tell the tale over this angle
(anyway, I’ll try):
This is the tale of the beetle
in the great battle
to conquer the castle
(or anyone of the two other options of title):
In spite of the unitary price of the war-cattle
had been unilaterally risen to the double,
the sharply watching eyes of the fiscal eagle,
that one of the so famous cash’s fable,
were suspiciously very quiet and gentle.
But, this, just because she got to neutralize and to handle
the most slow and idle
hidden in the middle of the jungle.
Then, she put her machine-gun-kettle
to load and to kindle,
but, just a little.
However, he, such a beetle, knows very well that in the middle
of all that insane muddle,
on trouble war’s waters, neither a gold needle
could signify some noble
and untransposeable obstacle
to the silver paddles
of the good people,
those one who would sail on up river, well worn in purple.
Knows, also, that the fortress quadrangle
wall’s quibble,
if it could too be built, or not, in the shape of rectangle,
hadn’t been so reasonable,
hadn’t enough fire power to avoid the rifle’s
scramble.
And that, even over a suitable
and flat armistice’s negotiation table,
many tactical, ballistic, strategic and operational troubles
were awaiting for the white cuirassed turtle,
like an unbelievable,
uncomfortable,
and not understandable
new kind of battle.
In The End, the brave former army fighters Beatles’s uncles
became obviously more respectful and valuables
than the simple, mortal and mutilated vegetables,
that day ahead, carried only by two-parallel-wheel vehicles.
And, then, a long and loud truce’s whistle
echoed across the universe’s wrinkles
proclaiming that the now soldier’s cemeteries convertible
from the former fields of battle
never more could be xeroxable or yardable,
the more it might seem zestable.
Concluding, as well as the virtue uses to walk on the way of the middle,
the beetle won the battle and got the castle.
A batalha do besouro no castelo
ou O besouro na batalha do castelo
ou A batalha no castelo do besouro
Eu não sei se serei capaz
de contar a estória vista deste angulo
(de qualquer maneira, vou tentar):
Esta é a estória do besouro
na grande batalha
para conquistar o castelo
(ou qualquer uma das duas outras opções de título):
Apesar de o preço unitário do gado-de-guerra
ter sido unilateralmente elevado para o dobro,
os olhos atentos e vigilantes da águia fiscal
– aquela da tão famosa fábula do dinheiro –,
estavam suspeitamente muito tranqüilos e gentis.
Mas, isso, só porque ela conseguira neutralizar e dominar
os mais lentos e preguiçosos
escondidos no meio da floresta.
Então, ela pôs a sua chaleira metralhadora
para carregar e esquentar,
mas, apenas um pouco.
Porém, êle, o tal besouro, sabia muito bem que no meio
daquela insana confusão –
em turbulentas águas de guerra – nem uma agulha de ouro
poderia significar algum nobre
e intransponível obstáculo
para os remos de prata
das pessoas de bem
– aquelas que navegariam rio acima, bem vestidas de púrpura.
Sabia, também, que a discussão inútil e sem importância
a respeito das muralhas quadradas da fortaleza
– se elas poderiam, ou não, ser construídas de forma retangular –,
não tinha sido assim tão razoável,
não tinha poder de fogo suficiente para evitar a escalada dos rifles.
E que, mesmo sobre uma mesa bem plana
e apropriada para as negociações do armistício,
muitos problemas táticos, balísticos, estratégicos e operacionais
estavam esperando pela tartaruga branca encouraçada,
como um desconfortável,
incompreensível
e inacreditável
novo tipo de batalha.
No final, os valentes ex-combatentes tios dos Beatles
tornaram-se obviamente mais respeitados e valorizados
do que os simples, mortais e mutilados vegetais,
daí adiante transportados somente por veículos de duas rodas paralelas.
E, então, um longo a alto assobio de trégua
ecoou através das dobras do universo
proclamando que campos de batalha transformados em cemitérios de soldados nunca mais poderiam ser copiados ou ajardinados,
por mais que isso pudesse parecer excitante e arrepiante.
Concluindo, assim como a virtude costuma trilhar o caminho do meio,
o besouro venceu a batalha e ganhou o castelo.
The battle of the beetle in the castle
or The beetle in the battle of the castle
or The battle in the castle of the beetle
I don’t know if I’ll be able
to tell the tale over this angle
(anyway, I’ll try):
This is the tale of the beetle
in the great battle
to conquer the castle
(or anyone of the two other options of title):
In spite of the unitary price of the war-cattle
had been unilaterally risen to the double,
the sharply watching eyes of the fiscal eagle,
that one of the so famous cash’s fable,
were suspiciously very quiet and gentle.
But, this, just because she got to neutralize and to handle
the most slow and idle
hidden in the middle of the jungle.
Then, she put her machine-gun-kettle
to load and to kindle,
but, just a little.
However, he, such a beetle, knows very well that in the middle
of all that insane muddle,
on trouble war’s waters, neither a gold needle
could signify some noble
and untransposeable obstacle
to the silver paddles
of the good people,
those one who would sail on up river, well worn in purple.
Knows, also, that the fortress quadrangle
wall’s quibble,
if it could too be built, or not, in the shape of rectangle,
hadn’t been so reasonable,
hadn’t enough fire power to avoid the rifle’s
scramble.
And that, even over a suitable
and flat armistice’s negotiation table,
many tactical, ballistic, strategic and operational troubles
were awaiting for the white cuirassed turtle,
like an unbelievable,
uncomfortable,
and not understandable
new kind of battle.
In The End, the brave former army fighters Beatles’s uncles
became obviously more respectful and valuables
than the simple, mortal and mutilated vegetables,
that day ahead, carried only by two-parallel-wheel vehicles.
And, then, a long and loud truce’s whistle
echoed across the universe’s wrinkles
proclaiming that the now soldier’s cemeteries convertible
from the former fields of battle
never more could be xeroxable or yardable,
the more it might seem zestable.
Concluding, as well as the virtue uses to walk on the way of the middle,
the beetle won the battle and got the castle.
A batalha do besouro no castelo
ou O besouro na batalha do castelo
ou A batalha no castelo do besouro
Eu não sei se serei capaz
de contar a estória vista deste angulo
(de qualquer maneira, vou tentar):
Esta é a estória do besouro
na grande batalha
para conquistar o castelo
(ou qualquer uma das duas outras opções de título):
Apesar de o preço unitário do gado-de-guerra
ter sido unilateralmente elevado para o dobro,
os olhos atentos e vigilantes da águia fiscal
– aquela da tão famosa fábula do dinheiro –,
estavam suspeitamente muito tranqüilos e gentis.
Mas, isso, só porque ela conseguira neutralizar e dominar
os mais lentos e preguiçosos
escondidos no meio da floresta.
Então, ela pôs a sua chaleira metralhadora
para carregar e esquentar,
mas, apenas um pouco.
Porém, êle, o tal besouro, sabia muito bem que no meio
daquela insana confusão –
em turbulentas águas de guerra – nem uma agulha de ouro
poderia significar algum nobre
e intransponível obstáculo
para os remos de prata
das pessoas de bem
– aquelas que navegariam rio acima, bem vestidas de púrpura.
Sabia, também, que a discussão inútil e sem importância
a respeito das muralhas quadradas da fortaleza
– se elas poderiam, ou não, ser construídas de forma retangular –,
não tinha sido assim tão razoável,
não tinha poder de fogo suficiente para evitar a escalada dos rifles.
E que, mesmo sobre uma mesa bem plana
e apropriada para as negociações do armistício,
muitos problemas táticos, balísticos, estratégicos e operacionais
estavam esperando pela tartaruga branca encouraçada,
como um desconfortável,
incompreensível
e inacreditável
novo tipo de batalha.
No final, os valentes ex-combatentes tios dos Beatles
tornaram-se obviamente mais respeitados e valorizados
do que os simples, mortais e mutilados vegetais,
daí adiante transportados somente por veículos de duas rodas paralelas.
E, então, um longo a alto assobio de trégua
ecoou através das dobras do universo
proclamando que campos de batalha transformados em cemitérios de soldados nunca mais poderiam ser copiados ou ajardinados,
por mais que isso pudesse parecer excitante e arrepiante.
Concluindo, assim como a virtude costuma trilhar o caminho do meio,
o besouro venceu a batalha e ganhou o castelo.
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Rhyme Series / Serie Rimas
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Em trânsito em casa - pequena crônica de uma passagem
Em trânsito em casa – pequena crônica de uma passagem
Como se estivesse num aeroporto, numa rodoviária ou numa estrada qualquer, viajando de um lugar para outro – que era exatamente o que eu estava fazendo naqueles dias –, inesperada e inusitadamente eu era um ser estranho, um estrangeiro, um passageiro, um ser de passagem, na minha própria cidade, ou pior ainda, na minha própria casa!
Estava em Salvador, na Bahia, para, mais uma vez, mais uma consecutiva vez, passar o Natal e o Ano Novo lá, com minha família daqui junto com o pessoal de lá, quando, de repente, dois dias depois que chegara, tive que voltar a Beagá – na verdade já tinha ido prevendo e pressentindo que, brevemente, teria que voltar; por um dia apenas que fosse, mas teria que voltar.
Pretendia retornar para Salvador no mesmo dia, mas, por ineficiência, incompetência, descaso, overbooking, indecência ou inapetência da doravante inominável e não recomendável empresa aérea, meu vôo fora simplesmente cancelado e adiado para o dia seguinte.
Tive que permanecer e pernoitar em Beagá, cidade que de repente se tornara totalmente estranha para mim, porque, quando as comissárias de terra (ou será “em terra”?) perguntaram quem tinha casa para onde voltar, eu me dei conta de que não tinha mais casa para ficar lá – pois minha atual casa localiza-se, concreta, física e espiritualmente, nas redondezas da cidade vizinha, Pedro Leopoldo, e não mais em Beagá.
Como não tinha casa lá, fui acomodado – felizmente, por sinal – num dos melhores hotéis da cidade, num ótimo apartamento no 16o andar, com bela e privilegiada vista da região. E não é que o Janelão da suíte fica exatamente de frente para o bairro onde comprei meu primeiro ap, onde morei por quase vinte anos e onde minhas filhas nasceram e cresceram?!
Porém, naquele momento, naquela única noite, esta visão panorâmica se apresentava totalmente estranha e desconhecida: ao abrir as cortinas, o que se descortinava era o tal lugar, o tal bairro, mas eu não o reconhecia de forma alguma. Tentei localizar e identificar as ruas, os prédios, as fachadas, tudo em vão. Não que a morfologia da Cidade Nova tivesse mudado tanto assim em dez anos. Uma mínima sensação de pertencer ao lugar, de ser do lugar, era o que me faltava, estava ausente, fora anulada, deletada. Se eu estivesse no alto de um prédio em Ipanema ou no Leblon, talvez a vista fosse mais familiar, mais domiciliar, e o reconhecimento seria naturalmente mais fácil.
Entretanto, neste meio-tempo ou, melhor dizendo, meio-espaço – entre a cidade estrangeira, o bairro irreconhecível e o hotel desconhecido –, a caminho do aeroporto para a pretendida viagem de retorno, fui parar, só para passar a tarde e esperar a hora do vôo à noite, num certo sítio, uma propriedade meio-rural, nas cercanias de Lagoa Santa, onde alguns dos meus irmãos e irmãs têm casas, inclusive eu!
Assim, sem mais nem menos, apenas com uma mochila nas costas, me vi desembarcando naquele sítio, muitíssimo conhecido e, literalmente, familiar, defronte a uma casa totalmente fechada que, por mais que eu a conhecesse e habitasse, por mais que ela me acomodasse e aconchegasse, se apresentava absolutamente estranha, alheia, fria, gelada – eu não estava nem com as chaves, tive que pegar as reservas no vizinho.
Entrei na casa, coloquei a mochila sobre o sofá da sala, mas, não ousei abri-la, muito menos as portas e as janelas. Não era minha aquela casa. Aquele lugar não era meu. Eu era um estranho, um estrangeiro, ali dentro. Eu só queria que a noite chegasse bem rápido, para poder ir embora depressa, embora para a outra cidade. Afinal, era lá, na outra cidade, que as minhas duas filhas e os meus dois genros (o real e o pretenso) estavam – até a minha ex-mulher estava lá – e, portanto, lá é que era a minha casa, o meu lar! – pelo menos naqueles dias.
Com certeza, este foi um dos dias mais estranhos da minha vida, se não o mais esquisito até então.
Todavia, estar em vias de passagem, em trânsito, na própria cidade, no próprio bairro e na própria casa, significou para mim, mais uma vez, algo como um forte, contundente e emblemático sinal da real transitoriedade, fugacidade, temporalidade e, até, fragilidade de tudo nesta vida, e mesmo da própria vida! Pois que tudo isso me aconteceu nos dias da passagem, da transição, e do enterro do meu próprio pai – que renasceu no mesmo dia em que Jesus Cristo nasceu, o que é uma graça, uma benção, um privilégio, que poucos fazem por merecer e alcançam.
Só que Ele, daquela feita, veio para o lado de cá, para os níveis de vida inferiores, para se reencontrar com todos nós; enquanto que ele, meu pai, desta vez, foi para o lado de lá, para os níveis de vida superiores, justamente para se reencontrar com Ele.
.
Homenagem a Amancio Corrêa Filho (03 Set 1916 / 25 Dez 2010)
Como se estivesse num aeroporto, numa rodoviária ou numa estrada qualquer, viajando de um lugar para outro – que era exatamente o que eu estava fazendo naqueles dias –, inesperada e inusitadamente eu era um ser estranho, um estrangeiro, um passageiro, um ser de passagem, na minha própria cidade, ou pior ainda, na minha própria casa!
Estava em Salvador, na Bahia, para, mais uma vez, mais uma consecutiva vez, passar o Natal e o Ano Novo lá, com minha família daqui junto com o pessoal de lá, quando, de repente, dois dias depois que chegara, tive que voltar a Beagá – na verdade já tinha ido prevendo e pressentindo que, brevemente, teria que voltar; por um dia apenas que fosse, mas teria que voltar.
Pretendia retornar para Salvador no mesmo dia, mas, por ineficiência, incompetência, descaso, overbooking, indecência ou inapetência da doravante inominável e não recomendável empresa aérea, meu vôo fora simplesmente cancelado e adiado para o dia seguinte.
Tive que permanecer e pernoitar em Beagá, cidade que de repente se tornara totalmente estranha para mim, porque, quando as comissárias de terra (ou será “em terra”?) perguntaram quem tinha casa para onde voltar, eu me dei conta de que não tinha mais casa para ficar lá – pois minha atual casa localiza-se, concreta, física e espiritualmente, nas redondezas da cidade vizinha, Pedro Leopoldo, e não mais em Beagá.
Como não tinha casa lá, fui acomodado – felizmente, por sinal – num dos melhores hotéis da cidade, num ótimo apartamento no 16o andar, com bela e privilegiada vista da região. E não é que o Janelão da suíte fica exatamente de frente para o bairro onde comprei meu primeiro ap, onde morei por quase vinte anos e onde minhas filhas nasceram e cresceram?!
Porém, naquele momento, naquela única noite, esta visão panorâmica se apresentava totalmente estranha e desconhecida: ao abrir as cortinas, o que se descortinava era o tal lugar, o tal bairro, mas eu não o reconhecia de forma alguma. Tentei localizar e identificar as ruas, os prédios, as fachadas, tudo em vão. Não que a morfologia da Cidade Nova tivesse mudado tanto assim em dez anos. Uma mínima sensação de pertencer ao lugar, de ser do lugar, era o que me faltava, estava ausente, fora anulada, deletada. Se eu estivesse no alto de um prédio em Ipanema ou no Leblon, talvez a vista fosse mais familiar, mais domiciliar, e o reconhecimento seria naturalmente mais fácil.
Entretanto, neste meio-tempo ou, melhor dizendo, meio-espaço – entre a cidade estrangeira, o bairro irreconhecível e o hotel desconhecido –, a caminho do aeroporto para a pretendida viagem de retorno, fui parar, só para passar a tarde e esperar a hora do vôo à noite, num certo sítio, uma propriedade meio-rural, nas cercanias de Lagoa Santa, onde alguns dos meus irmãos e irmãs têm casas, inclusive eu!
Assim, sem mais nem menos, apenas com uma mochila nas costas, me vi desembarcando naquele sítio, muitíssimo conhecido e, literalmente, familiar, defronte a uma casa totalmente fechada que, por mais que eu a conhecesse e habitasse, por mais que ela me acomodasse e aconchegasse, se apresentava absolutamente estranha, alheia, fria, gelada – eu não estava nem com as chaves, tive que pegar as reservas no vizinho.
Entrei na casa, coloquei a mochila sobre o sofá da sala, mas, não ousei abri-la, muito menos as portas e as janelas. Não era minha aquela casa. Aquele lugar não era meu. Eu era um estranho, um estrangeiro, ali dentro. Eu só queria que a noite chegasse bem rápido, para poder ir embora depressa, embora para a outra cidade. Afinal, era lá, na outra cidade, que as minhas duas filhas e os meus dois genros (o real e o pretenso) estavam – até a minha ex-mulher estava lá – e, portanto, lá é que era a minha casa, o meu lar! – pelo menos naqueles dias.
Com certeza, este foi um dos dias mais estranhos da minha vida, se não o mais esquisito até então.
Todavia, estar em vias de passagem, em trânsito, na própria cidade, no próprio bairro e na própria casa, significou para mim, mais uma vez, algo como um forte, contundente e emblemático sinal da real transitoriedade, fugacidade, temporalidade e, até, fragilidade de tudo nesta vida, e mesmo da própria vida! Pois que tudo isso me aconteceu nos dias da passagem, da transição, e do enterro do meu próprio pai – que renasceu no mesmo dia em que Jesus Cristo nasceu, o que é uma graça, uma benção, um privilégio, que poucos fazem por merecer e alcançam.
Só que Ele, daquela feita, veio para o lado de cá, para os níveis de vida inferiores, para se reencontrar com todos nós; enquanto que ele, meu pai, desta vez, foi para o lado de lá, para os níveis de vida superiores, justamente para se reencontrar com Ele.
.
Homenagem a Amancio Corrêa Filho (03 Set 1916 / 25 Dez 2010)
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
No serial and neither serious rhymes
No serial and neither serious rhymes
The dangerous cactus of the campus
Be conscious
and very cautious
against the dangerous
and thorny cactus
planted around the campus
Less anxious and more curious
Be less anxious
and less careful
be more adventurous
and more curious:
take the bus
which goes to the circus
Venus
Be a victorious
versus
the vicious
Go to Venus!
Vinil
Nowadays the vinil
is a very old and unfashion utensil
The will
After the bride´s veil
the woman will
is the baby wail
to be continued…
Rimas não seriadas e nada sérias
Os perigosos cactos do campus
Esteja ciente
e muito precavido
contra os perigosos
e espinhentos cactos
plantados em volta do campus
Menos ansioso e mais curioso
Seja menos ansioso
e menos cuidadoso
seja mais aventureiro
e mais curioso:
pegue o ônibus
que vai pro circo
Vênus
Seja um vitorioso
contra
o vicioso
Vá para Vênus!
Vinil
Hoje em dia o vinil
é um utensílio muito velho e fora de moda
A herança
Depois do véu de noiva
a herança da mulher
é o choro do bebê
a continuar...
The dangerous cactus of the campus
Be conscious
and very cautious
against the dangerous
and thorny cactus
planted around the campus
Less anxious and more curious
Be less anxious
and less careful
be more adventurous
and more curious:
take the bus
which goes to the circus
Venus
Be a victorious
versus
the vicious
Go to Venus!
Vinil
Nowadays the vinil
is a very old and unfashion utensil
The will
After the bride´s veil
the woman will
is the baby wail
to be continued…
Rimas não seriadas e nada sérias
Os perigosos cactos do campus
Esteja ciente
e muito precavido
contra os perigosos
e espinhentos cactos
plantados em volta do campus
Menos ansioso e mais curioso
Seja menos ansioso
e menos cuidadoso
seja mais aventureiro
e mais curioso:
pegue o ônibus
que vai pro circo
Vênus
Seja um vitorioso
contra
o vicioso
Vá para Vênus!
Vinil
Hoje em dia o vinil
é um utensílio muito velho e fora de moda
A herança
Depois do véu de noiva
a herança da mulher
é o choro do bebê
a continuar...
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Rhyme Series / Serie Rimas
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Yesterday, today, anyday or everyday
ay rhyme serie
Yesterday, today,
and any or everyday
In that bay
there is a quay
where any ship in founder or in astray
safely can stay lay
Whose that just pay their pray
to saints and gods made of clay,
especially those weared in gray,
are under cursed and damned dismay.
She was at my doorway
and suddenly, as a ray,
she runaway.
Why? She won’t say.
The musician just will can display
a good and perfect play
after day after day
of hard essay
The mommys of the Square of May
carry their tears on golden trays
because this is the only way
to, by someway,
avoid it to spray.
No matter if today
is mon, tues, wed, thurs, fri, sat or sun day,
because for me, nowadays,
someday, anyday and everyday,
as how will be tomorrow and was yesterday,
is always a holiday.
You can be sure that, allway and anyway,
I’m always trying to stay,
the highest time I can, well far away
from the dirty and aversing ashtrays,
or, at least, these meetings I try to delay.
And I know myself I won’t betray
and my health I’ll prevent to decay
in order to might celebrate more and more birthdays.
Ontem, hoje,
e qualquer ou todo dia
Naquela baía
há um cais
onde qualquer navio à deriva ou extraviado
pode aportar e ficar a salvo.
Aqueles que pagam suas orações
apenas para santos e deuses feitos de barro,
especialmente os vestidos de cinza,
estão sob amaldiçoada e danada desesperança.
Ela estava à minha porta
e de repente, como um raio,
correu pra longe.
Porque? Ela não quis dizer.
O músico somente poderá apresentar
uma boa e perfeita audição
depois de dias e dias
de duro ensaio.
As mães da Praça de Maio
carregam suas lágrimas em bandejas de ouro
porque esse é o único meio
de, por algum modo,
evitar que elas derramem.
Não importa se hoje
é 2a., 3a., 4a., 5a., 6a., sábado ou domingo,
porque para mim, hoje em dia,
algum dia, qualquer dia e todo dia,
assim como será amanha e foi ontem,
é sempre feriado.
Podem estar certos de que, de todo e qualquer jeito,
eu estou tentando ficar,
o máximo de tempo possível, bem distante
dos sujos e nojentos cinzeiros,
ou, pelo menos, esses encontros eu tento adiar.
E sei que não vou me trair
e que a minha saúde irei garantir e preservar,
de modo a mais e mais aniversários poder celebrar.
Yesterday, today,
and any or everyday
In that bay
there is a quay
where any ship in founder or in astray
safely can stay lay
Whose that just pay their pray
to saints and gods made of clay,
especially those weared in gray,
are under cursed and damned dismay.
She was at my doorway
and suddenly, as a ray,
she runaway.
Why? She won’t say.
The musician just will can display
a good and perfect play
after day after day
of hard essay
The mommys of the Square of May
carry their tears on golden trays
because this is the only way
to, by someway,
avoid it to spray.
No matter if today
is mon, tues, wed, thurs, fri, sat or sun day,
because for me, nowadays,
someday, anyday and everyday,
as how will be tomorrow and was yesterday,
is always a holiday.
You can be sure that, allway and anyway,
I’m always trying to stay,
the highest time I can, well far away
from the dirty and aversing ashtrays,
or, at least, these meetings I try to delay.
And I know myself I won’t betray
and my health I’ll prevent to decay
in order to might celebrate more and more birthdays.
Ontem, hoje,
e qualquer ou todo dia
Naquela baía
há um cais
onde qualquer navio à deriva ou extraviado
pode aportar e ficar a salvo.
Aqueles que pagam suas orações
apenas para santos e deuses feitos de barro,
especialmente os vestidos de cinza,
estão sob amaldiçoada e danada desesperança.
Ela estava à minha porta
e de repente, como um raio,
correu pra longe.
Porque? Ela não quis dizer.
O músico somente poderá apresentar
uma boa e perfeita audição
depois de dias e dias
de duro ensaio.
As mães da Praça de Maio
carregam suas lágrimas em bandejas de ouro
porque esse é o único meio
de, por algum modo,
evitar que elas derramem.
Não importa se hoje
é 2a., 3a., 4a., 5a., 6a., sábado ou domingo,
porque para mim, hoje em dia,
algum dia, qualquer dia e todo dia,
assim como será amanha e foi ontem,
é sempre feriado.
Podem estar certos de que, de todo e qualquer jeito,
eu estou tentando ficar,
o máximo de tempo possível, bem distante
dos sujos e nojentos cinzeiros,
ou, pelo menos, esses encontros eu tento adiar.
E sei que não vou me trair
e que a minha saúde irei garantir e preservar,
de modo a mais e mais aniversários poder celebrar.
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